Mais Médicos atende 600 mil indígenas
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quarta-feira, 22 de julho de 2015
Reportagem Local 
Brasília - Os desafios são inúmeros e vão desde as dificuldades de chegar às áreas até promover o cuidado da população diferenciada com língua e cultura próprias. Neste contexto, o programa Mais Médicos conseguiu incrementar o número de profissionais onde eram mais necessários. Antes do Mais Médicos, os 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) contavam com 247 médicos que ficavam justamente em locais onde não era necessário dormir na aldeia. Com o programa, o número aumentou para 582 médicos, dos quais 292 são médicos cubanos, oito brasileiros formados no Exterior, 26 intercambistas e nove pelo Programa de Valorização do Profissional da Atenção Básica (Provab).
Desde 2011, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) vem superando adversidades para atender a cerca de 666 mil indígenas que vivem em 305 povos residentes em 5.700 aldeias, sendo que a região Norte concentra a maior parte dessa população (cerca de 46%). A Sesai é composta de 34 DSEI, 354 Polos Bases, 68 Casas de Saúde Indígena (Casai), 751 postos de saúde distribuídos nas cinco regiões geográficas.
Para o secretário especial de Saúde Indígena, Antônio Alves, o Mais Médicos foi a oportunidade para fixar o profissional médico nas áreas mais longínquas. "O programa veio compor as equipes de Saúde Indígena, que já eram formadas com técnico de enfermagem, enfermeiros, dentista, auxiliar de saúde bucal, agentes de saúde indígena, mas em muitos lugares faltavam os médicos. Principalmente nos territórios que compõem a Amazônia Legal, onde fica concentrada a maior população indígena no Brasil", lembra.
Nesses locais, os profissionais precisam ficar 30 dias nas áreas com folga de 15 dias. Quando não é possível tratar o indígena no local, na aldeia, ele é removido para Casais que ficam na cidade. "Se necessário são levados para os hospitais que compõem o SUS, como um parto complicado, por exemplo. Temos técnicos de enfermagem e assistentes sociais que ficam responsáveis por esse indígena e depois levam ele de volta para a aldeia", explica.
IMPACTO
Segundo o secretário, ainda não é possível mensurar em dados o impacto da presença dos médicos nas Unidades Básicas de Saúde Indígena nessa população. Porém, já pode ser percebido, porque houve redução de encaminhamento para as Casais, com maior resolutividade dos casos na aldeia. Ele afirma que até nas estatísticas os médicos terão um papel importante, pois em alguns casos faltavam profissionais para assinar óbitos e determinar a causa da morte. Os dados servem para aperfeiçoar a política de assistência a esses povos.
Para entender a importância de resolver os casos na própria aldeia, é preciso conhecer as distâncias e os acessos a esses locais. Há aldeias, por exemplo, no DSEI Vale do Javari, no Amazonas, em que para se chegar é preciso até 14 dias de barco. Em alguns DSEI, o Ministério da Saúde conta com aluguel de horas de voos, de helicóptero, monomotor ou bimotor para reduzir o tempo de deslocamento. "Porém, poder fazer o procedimento na aldeia mesmo traz mais segurança para os indígenas, que não precisam deixar a aldeia, e menos risco de vida para os pacientes", destaca.
Uma característica da Saúde Indígena é respeitar as tradições de cada aldeia, seus pajés, benzedeiras e rezadeiras, com o uso de ervas naturais no trabalho. Sobre este aspecto, os médicos cubanos também puderam contribuir, pois eles utilizam ervas medicinais em seus tratamentos. "Para eles (médicos cubanos e outros estrangeiros) também têm sido uma experiência valiosa, pois não há índio de onde eles vêm e eles podem aprender muito com nossos indígenas".


