Pela primeira vez, na opinião do secretário de Saúde Municipal, Silvio Fernandes, o governo começa a admitir que a crise na saúde londrinense não depende somente da ampliação no número de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em hospitais filantrópicos, estando atrelada à abertura de novas vagas no Hospital Universitário de Londrina (HU), onde esta semana morreu uma mulher de 78 anos de idade que aguardava internação em leito de alta complexidade.
Fernandes disse que solicitaria abertura de auditoria municipal para investigar se, realmente, 70 pessoas podem ter morrido em 2005, enquanto esperavam por leitos de UTI no HU. A informação, do diretor clínico do hospital, Sinésio Moreira Junior, foi publicada ontem pela Folha.
O secretário disse que é preciso que o governo estadual se convença da necessidade de novos leitos no HU. ''Não podemos adotar a postura de que o problema terá solução diferente dessa. Estaremos enganando a população'', afirmou Silvio Fernandes.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) emitiu nota oficial contestando a reportagem, porém, sem apresentar números apontando em direção contrária. No entanto, o próprio diretor de Serviços de Saúde da Secretaria, Gilberto Martin, disse que ''não concorda nem discorda, nem contesta'', os números apresentados pelo diretor clínico do HU.
''Acho que o hospital tem que formalizar a informação. Há muita conversa errada sobre o assunto, que ao invés de informar confunde e atrapalha quem tem que discutir o assunto. Não são números oficiais para poder fazer uma afirmação. Independente de qual seja o número, nós temos o diagnóstico de que precisa de mais leitos'', destacou Martin.
Finalmente, sobre a sindicância já instaurada para apurar mortes no HU, Martin ressaltou que foi pedido um levantamento dos prontuários, que estão sendo analisados por técnicos da 17 Regional de Saúde e da Sesa. Ele disse que espera que o processo esteja em fase de conclusão.

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