Mais informações sobre uso e menos termos técnicos
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quarta-feira, 04 de março de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Dor é sinônimo de desconforto. Apelar para uma medicação - seja engolindo um comprimido ou tomando as intermináveis gotinhas - sem ler as informações da bula sobre possíveis contra-indicações é tão comum quanto se automedicar. Para mudar este comportamento e facilitar a leitura das bulas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pretende lançar dois modelos para cada medicamento: uma com linguagem técnica, destinada aos médicos, outra voltada ao paciente, com informações mais didáticas (leia mais nesta página).
Isadora Romero tem 15 anos e nunca leu uma bula. A pedido da reportagem ela topou ler as informações sobre uma medicação para cólicas e até achou a experiência interessante. ''Tem muita coisa que não dá para entender mas descobri, por exemplo, que o remédio pode ser usado até por dentistas e eu nem sabia'', ressalta a estudante, que se baseia apenas nos dados da caixinha do remédio para decidir que medicamento tomar.
A razão pela qual Isadora nunca leu uma bula de remédio é porque a mãe dela, a professora de natação Karen Aoki Romero, sempre se informou antes de ministrar qualquer medicação à filha. ''Sempre que preciso usar um remédio novo eu leio a bula e algumas até já conheço de cor. Quando já sei quais são as contra-indicações, procuro até trocar de medicamento'', comenta Karen.
Ela acha importante a leitura da bula, mas acredita que as pessoas não lêem ''por preguiça, pela dificuldade em entender as letrinhas e por falta de conhecimento técnico''. A professora, mesmo confiando na prescrição médica, costuma se ater aos parágrafos sobre as contra-indicações. Ela conta que em certa ocasião o pai de Isadora tomou um remédio para controle da pressão arterial e, por não ter lido a bula, teve que substituí-lo. ''Ele não leu a bula e descobriu, na prática, que o remédio fazia mal e teve que pedir ao médico para mudar a medicação.''
Estudante do segundo ano de Farmácia na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ana Paula Moreno Barbosa confessa que nunca lia bulas de remédio antes de frequentar a faculdade e quando tentava ler, se perdia nos termos técnicos, até então desconhecidos. ''Algumas palavras já aprendi na faculdade, então não tenho mais tanta dificuldade em entender uma bula hoje em dia'', afirma.
Ela concorda com a nova legislação, que prevê mudanças no tamanho das letras e na diagramação do texto das bulas, para facilitar a compreensão pelos pacientes. Ainda segundo a universitária, a maior parte da população focaliza a leitura apenas nos itens que explicam as contra-indicações e o modo de usar o medicamento, a chamada posologia. ''São as informações mais interessantes da bula, por isso o paciente nem lê o que contém no remédio'', justifica.


