Para professores do Ensino Fundamental e Médio, trabalhar a própria intolerância é desafio ao se considerar que, diariamente, lidam com dezenas de individualidades em formação. ''Estou há 20 anos em sala de aula e considero ser muito difícil não ser preconceituoso em determinadas questões. Tenho que escolher bem as palavras, mas nem sempre é possível'', reconhece o professor de História, Norival Claro da Silva. Ele acredita que eventos como o da UEL contribuem para a formação do professor, mas defende que não são suficientes: ''Ações como esta são importantes, mas é difícil levar estas discussões para a escola, e piora ao se tentar levar para a sala de aula'', afirma.
Para a professora de Língua Portuguesa, Dorcas Damaris Gonçalves, a maior dificuldade em se discutir o preconceito na escola é que ele parte da própria sala dos professores. ''Existe muita panelinha entre os professores, o que facilita que determinadas ideologias e preconceitos sejam levados para as classes'', aponta. O importante, afirma, é não perder a vontade de mudar esta realidade, lição que ela com 20 anos de experiência dá para as colegas menos experientes, Lúcia de Souza e Mônica Gonçalves. As duas estão no primeiro ano de docência e já percebem a dificuldade em quebrar barreiras. ''Tenho várias idéias, mas até os próprios alunos têm preconceito em aceitá-las'', afirma Mônica, que leciona Artes no Ensino Fundamental.
A alternativa apontada pelos professores para minimizar a intolerância é mais incentivo à educação. ''Somente através da educação, do acesso à informação, é que os professores e alunos poderão formar novos conceitos'', defende Dorcas. Já Silva afirma ser necessário também a participação da família. ''Às vezes, os pais carregam vários preconceitos que temos dificuldade em quebrar na sala de aula. Se propomos idéias que divergem da família, fica difícil para trabalharmos''. (G.B.)

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