Mais duas pessoas morrem à espera de UTI
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quinta-feira, 24 de julho de 2003
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
O aposentado Valentim dos Santos, 69 anos, foi a quinta pessoa a morrer, em três dias, à espera de um leito na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em Londrina. Valentim permaneceu internado durante cinco dias nas enfermaria dos hospitais da Zona Sul (HZS) e do Universitário (HU) até que, na noite de anteontem, não resistiu a uma infecção generalizada. Em Ponta Grossa, uma mulher também morreu anteontem sem acesso a um leito de UTI (leia nesta página). Na noite de segunda-feira, outras quatro pessoas morreram, no Hospital da Zona Norte (HZN), esperando uma vaga na UTI.
O filho do aposentado, Valdecir dos Santos, disse que seu pai começou a apresentar problemas de saúde no sábado, quando foi levado ao HZS. Ele frisou que quando conseguiram uma vaga para o pai no HU, na terça-feira, aumentaram as esperanças de que ele sobrevivesse. ''A gente achou que ele ia ficar na UTI, mas não tinha lugar e ele acabou morrendo'', lamentou.
Um demonstrativo de que a macroregião de Londrina está carente de leitos pode ser observado em número repassados pela 17 Regional de Saúde. Segundo parâmetros do Ministério da Saúde, a quantidade de leitos de UTI deve ficar entre 4% e 10% do total de leitos gerais. Na macroregião de Londrina, formada por 98 municípios, existem 3.799 leitos gerais, e somente 115 leitos de UTI, que corresponde a 2,6% do total.
O diretor de sistemas de saúde do Estado, Mário Lobato da Costa, afirmou que essa deficiência deverá ser erradicada com a autorização, por parte do governo federal, do credenciamento de mais 279 leitos para o Paraná. Ele adiantou que, além dos autorizados pelo Ministério da Saúde, o governo estadual deverá colocar em funcionamento outros 50 leitos de UTI.
Segundo Lobato, para a região de Londrina, de imediato, deverá ser autorizado o credenciamento de 25 leitos de UTI. A definição deve ocorrer, hoje, durante a reunião bipartite, envolvendo membros do Estado e dos municípios, que acontece, em Curitiba. ''Estamos sentindo o peso dos pequenos investimentos feitos no setor. Ano passado, o Paraná superou, apenas, o Maranhão em investimentos'', observou.
O secretário municipal de Saúde, Silvio Fernandes, disse que o processo de credenciamento dos leitos precisa ser realizado com a maior brevidade para amenizar os problemas que surgem diariamente. A médio prazo, o secretário entende que é necessário aumentar os investimentos no setor, para ampliar a quantidade de leitos e melhorar o atendimento.
A situação, ontem, nos hospitais de Londrina continuava preocupante. No Hospital Evangélico (HE), onde há 13 leitos na UTI, existiam 16 pacientes internados. Na Santa Casa, os 22 leitos estavam ocupados, e um outro paciente era mantido na sala de emergência, em uma unidade improvisada. No HU, os 32 leitos de UTI estavam ocupados. Segundo a Central de Leitos, somente uma paciente de Ibaiti (94 Km ao sul de Jacarezinho) aguardava uma vaga em hospitais da cidade.


