Mais duas áreas são ocupadas
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terça-feira, 30 de dezembro de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
Duas fazendas foram invadidas por trabalhadores sem terra na região de Querência do Norte (113 km a oeste de Paranavaí), no final de semana. No sábado, por volta das 10 horas, cerca de 30 famílias invadiram a Fazenda Paraíso, em Santa Cruz do Monte Castelo (90 km de Paranavaí).
O proprietário da fazenda, João Manoel dos Reis Pires registrou queixa na delegacia e vai entrar com pedido de reintegração de posse na Justiça. A Fazenda Paraíso tem 127 alqueires e fica entre a Fazenda Junqueira, também invadida por sem-terra, e a Fazenda São Sebastião, que foi comprada pelo Incra há cinco meses para a criação do Campos da Paz - proposta não concretizada do governo do Estado de reunir em um acampamento provisório famílias que ocupam áreas na região. Os sem-terra, conforme o escrivão de polícia Geraldo Garcia, estão acampados na entrada da fazenda.
Na manhã de anteontem, outro grupo de sem-terra invadiu a Fazenda São Pedro, localizada em Querência do Norte. A propriedade tem 1.256 hectares e pertence Waldemar Alegretti, ex-secretário de Justiça na gestão do governador João Elísio Ferraz de Campos. De acordo com o assistente de segurança da delegacia de Querência do Norte, Luiz Alves, os sem-terra estão acampados perto da sede da fazenda. A invasão reuniu cerca de 150 pessoas, a maioria famílias de Querência do Norte.
Conforme Marília Alegretti, mulher de Waldemar Alegretti, a fazenda possui mais de 2 mil cabeças de gado, sendo 350 animais em confinamento e 500 cabeças de gado charolês, fábrica de ração, além de sêmen e embriões importados do Canadá. Ela informou ontem que a família já está entrando com pedido de reintegração de posse.
De acordo com um dos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região, Wanderlei Braon, a invasão foi decidida pelos próprios trabalhadores de Querência do Norte e da região. Ele garantiu que as duas áreas foram vistoriadas pelo Incra e foram considerandas improdutivas. Em nenhuma das duas ocupações foram registrados conflitos entre funcionários das fazendas e sem-terra.


