Mais dois vereadores vão depor hoje
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quarta-feira, 10 de dezembro de 1997
Osmani Costa 
Londrina
Os vereadores Jaci Aguiar e Jorge Scaff (ambos do PDT) foram intimados para depor, na tarde de hoje, ao promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, sobre o possível envolvimento deles nas contratações irregulares de 212 funcionários pela Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). O promotor investiga a denúncia de que cinco vereadores teriam indicado parentes, amigos e cabos eleitorais para as contratações - realizadas no início deste ano - e que o pagamento destes funcionários fantasmas estaria indo para a conta bancária dos vereadores.
Os vereadores que estão sob suspeita e investigação da Promotoria - além dos que serão ouvidos hoje - são Carlos Kita (PTB), Célio Guergoletto (PMDB) e Orlando Soares Proença (PDT). Kita está em viagem oficial ao Japão, e por isto só poderá depor na próxima semana. Guergoletto e Proença já depuseram e admitiram ter indicado pessoas para as contratações irregulares na Comurb, que depois de divulgadas pela imprensa levaram à exoneração do então presidente Cléber Tóffoli.
No início deste mês, Jaci Aguiar não compareceu para prestar esclarecimentos ao promotor e solicitou - através de correspondência de um advogado contratado para a defesa - que o interrogatório fosse por escrito. Bruno Galatti indeferiu a solicitação, alegando que não há motivos legais para o depoimento por escrito, e intimou novamente Aguiar para depor hoje.
Galatti, que não revela detalhes do inquérito à imprensa para não atrapalhar as investigações, já ouviu nas últimas semanas cerca de 40 funcionários e ex-funcionários da Comurb envolvidos nas contratações irregulares. Inicialmente, o promotor pretendia encerrar a tomada de depoimentos e apresentar o relatório final do inquérito até o dia 15 - data da realização da última sessão ordinária da Câmara -, mas ontem admitiu que isto não vai ser possível. Além de um vereador envolvido (Carlos Kita) estar em viagem ao exterior, estamos tocando simultaneamente outros inquéritos. Por isto, haverá um atraso. Mas certamente o relatório estará pronto até o final de dezembro, garante o promotor.
O vereador Orlando Proença confirmou que indicou seis pessoas para contratação na Comurb, entre elas sua esposa, um irmão e um cunhado. O assessor do vereador, pastor José Maria Góes, admitiu que alguns destes funcionários indicados depositavam na conta bancária de Proença os cheques relativos aos pagamentos da Comurb para acertos de contas internas do dia-a-dia do gabinete. Em represália à divulgação destes detalhes, Proença afastou o pastor da assessoria do gabinete na Câmara e dispensou outros assessores.
Depois da divulgação das irregularidades, assumiu a presidência da Comurb o também procurador do município Kakunen Kyosen. Ele conseguiu, junto ao promotor, um acordo para que 96 dos 212 contratados irregularmente prosseguissem trabalhando temporariamente e a título precário até a realização de concurso e a contratação.


