Mais dois morrem à espera de vaga em UTI
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de outubro de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Mais duas pessoas morreram, em Ponta Grossa, antes de conseguirem vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI): um rapaz paraplégico, de 19 anos, que estava com quadro de infecção, e um homem de 83 anos, que teve derrame cerebral. Pelo levantamento do promotor de Justiça Fuad Faraj, de agosto de 2003 a agosto deste ano já são 91 mortes por falta de atendimento médico-hospitalar adequado.
Ele disse que pediu abertura de inquérito para apurar se houve omissão de socorro, solicitando, inclusive, esclarecimentos dos responsáveis pela Central de Leitos, que atende a região de Ponta Grossa. Ele defende a realização de auditoria em todos os hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) para verificar se não está havendo sonegação de vagas.
Há pouco mais de uma semana, Faraj tomou a iniciativa de criar o que ele batizou de ''plantão da vida''. Em acordo com administração do Pronto-Socorro Municipal, o promotor é comunicado sobre os pacientes que precisam de internação em UTI ou transferência para outros hospitais e ele mesmo busca solução.
O diretor de Sistemas de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde, Gilberto Martin, informou que o quadro do paciente de 83 anos, provavelmente, era irreversível, já que a espera por vaga foi de cinco horas, o que seria considerado um tempo curto. Já o nome do rapaz não contava da lista de espera da Central de Leito.
Martin disse, também, que o governo dobrou o número de leitos de UTI, em Ponta Grossa, de 18 para 36, e adotou contratação de leitos particulares como reserva técnica. Outra medida, definida em reunião ontem, pretende agilizar o atendimento das centrais de leito. Trata-se de censo diário das vagas disponíveis por técnicos do Estado e dos municípios nos hospitais de médio e grande porte. Estuda-se, ainda, a realização de auditoria.


