Mais dois médicos são investigados pelo MP
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quarta-feira, 12 de abril de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Enquanto o médico José Carlos da Costa continua preso no 2º Distrito Policial (DP) de Londrina, outros dois médicos da cidade estão sendo investigados por receitar fórmulas de emagrecimento que oferecem risco à vida de pacientes. Um inquérito policial também apura a denúncia de que, só em janeiro e fevereiro deste ano, pelo menos 106 pacientes de Costa teriam recebido a mesma prescrição médica que resultou na morte da vendedora Luciani Zanutto de Oliveira da Silva, 24 anos, em agosto de 2001.
Costa foi preso anteontem, acusado de homicídio doloso por ter prescrito para Luciani o uso simultâneo de anfetaminas, diuréticos e ansiolíticos - combinação que pode ser fatal e é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Conselho Federal de Medicina (CFM). O promotor Paulo Tavares afirmou que os registros da farmácia que manipulava os medicamentos para Costa comprovaram que ele continuou receitando tais medicamentos, pelo menos até fevereiro último. Amparado na lei de tóxicos, o promotor também denunciou o médico por tráfico de entorpecentes.
Após tomar conhecimento de autuações feitas pela Vigilância Sanitária de Londrina, Tavares denunciou mais dois médicos de Londrina que estariam incorrendo no mesmo crime. O caso foi remetido à polícia para abertura de inquérito.
A advogada que defende a família de Luciani em ação cível por danos morais e materiais, Jucelina Diniz, refutou ontem a declaração feita à Folha pelo advogado de Costa, que disse não haver ''confirmação de que ele (o médico) prescreveu os remédios''. Ela apresentou cópia do processo que traz fotos dos frascos de medicamentos entregues a Luciani com o nome do médico. Jucelina ressaltou que a paciente não ficou com nenhuma receita porque a prática do médico era encomendar a fórmula diretamente da farmácia de manipulação e entregar os remédios no consultório.
O marido de Luciani, Vanderlei Inocêncio da Silva, 37, disse que recebeu com satisfação a notícia da prisão do médico. ''Minha esposa era muito saudável, estava feliz porque tinha acabado de ter um filho, mas tinha aquela ânsia de perder peso rapidamente. Quando começou a tomar os remédios, ficou triste, nervosa, era difícil lidar com ela'', comentou.
O presidente do Conselho de Farmácia do Paraná, Dennis Armando Bertolini, afirmou que o órgão está elaborando um documento, junto com o Conselho Federal de Medicina, para orientar médicos e farmacêuticos sobre a prescrição de fórmulas para emagrecer. Ele frisou que a anfetamina não é uma substância proibida no Brasil, mas que exige muito cuidado com a dosagem.
Sobre os dois farmacêuticos também acusados de homicídio doloso por terem manipulados as cápsulas receitadas por Costa, Bertolini afirmou que serão submetidos a processo disciplinar no conselho. ''Se comprovada a culpa, as punições vão desde multa até eliminação do nosso quadro de profissionais'', apontou. A reportagem tentou falar com o presidente do Conselho Regional de Medicina de Londrina, Álvaro Luiz de Oliveira, mas ele não retornou as ligações.


