Mais dois crimes assustam a população
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sexta-feira, 30 de abril de 2010
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O desespero de uma mãe diante do assassinato do filho em plena luz do dia marcou o registro do 62º homicídio de 2010 em Londrina. Vinícius André Marques Pereira, 20 anos, foi morto na Rua José de Alencar, no Jardim Shangri-lá (Zona Oeste), por volta das 13 horas de ontem. Na noite de quinta-feira, um professor universitário foi baleado durante assalto.
A mãe do rapaz, identificada apenas como Roseli, viveu momentos de desespero diante do corpo do filho estendido no chão. Aos gritos, contorcendo-se na calçada, ela clamava por justiça aos policiais que atenderam a ocorrência.
Testemunhas relataram que Pereira empurrava uma bicicleta na companhia de dois outros rapazes quando foi alcançado por duas pessoas em uma moto, que atiraram à queima-roupa contra a cabeça. Ele morreu no local, antes mesmo de ser atendido pelo Siate.
Familares da vítima informaram que ele era usuário de drogas e que teria tentando defender outro rapaz numa briga por causa de entorpecentes, o que teria motivado o assassinato. Eles disseram também que Pereira trabalharia como guardador de carros no bairro, onde funcionam um banco, uma faculdade e vários estabelecimentos comerciais.
Medo
O crime assustou moradores da região, que reclamam da falta de segurança. Segundo várias pessoas ouvidas pela reportagem, o local concentra prostituição, tráfico de drogas, roubo de carros e assaltos a pedestres. Abalado com os estilhaços dos tiros no portão da própria casa, o comerciante Carlos Alexandre Augusto contou que a sensação de insegurança é constante. ''Meus netos estavam na sala e poderiam ter sido atingidos. A gente está desprotegido'', afirmou ele, que contratou o serviço do guarda noturno principalmente para ter acompanhamento na hora de chegar em casa.
Essa foi a mesma estratégia usada por Edna Rollwagen, que pede ao guarda para acompanhar a filha Annelise quando ela chega da faculdade. ''Somente ontem foram dois carros roubados na rua. Jamais atendo o portão se estiver sozinha em casa'', disse ela, que chegou a participar de um abaixo-assinado pedindo mais segurança no bairro. ''Mas, por enquanto, não houve providências.''
Na casa da senhora, as brigas entre prostitutas costumam tirar o sono dos moradores. ''A gente ouve as discussões e fica com medo. Todo dia acontece alguma coisa.''
Funcionário de uma faculdade nos arredores, o auxiliar administrativo e técnico de informática Rodrigo Garcia contou que ele e os colegas traçaram estratégias de segurança para evitar deixar o estabelecimento sozinhos ao final das aulas noturnas. ''Espero a saída de duas professoras e depois vou para o ponto de ônibus acompanhado por um professor que também utiliza o transporte coletivo. Não dá para sair sozinho.''


