Sem receber o pagamento de salários e férias, professores e funcionários de dois centros de educação infantil (CEIs) filantrópicos entraram em greve na manhã de ontem. A situação das instituições denuncia uma crise enfrentada por escolas filantrópicas de Londrina que oferecem educação para crianças de 0 a 6 anos. Sem recursos para investir a contrapartida de aproximadamente 30% dos custos totais das creches, as entidades mantenedoras não conseguem honrar os pagamentos.
Um dos CEIs que paralisaram as atividades é o Padre Boaventura, localizado no Conjunto São Lourenço (Zona Sul). Os 19 professores e seis funcionários entraram em greve pela terceira vez desde novembro. ''Eles não tinham recebido salários e agora estão sem receber as férias'', informou o diretor-tesoureiro do Sindicato dos Professores das Escolas Particulares de Londrina e Norte do Paraná (Sinpro), Diego Mendes de Carvalho. O CEI atende 134 crianças.
Segundo o dirigente do Sinpro, a entidade mantenedora da creche recebeu os repasses da prefeitura referentes a janeiro e fevereiro deste ano, mas não usou o dinheiro para honrar o pagamento das professoras por não poder utilizar verbas de 2010 para acertar despesas de 2009.
A diretora do CEI e presidente da mantenedora Associação e Clube de Mães e Voluntários do Jardim São Lourenço, Idicéia Pontes Horto, afirmou que não tem dinheiro em caixa para pagar as férias. ''Minha proposta é adiantar 40% do salário de fevereiro entre hoje (ontem) e amanhã. Mas não posso obrigar ninguém a voltar a trabalhar'', ressaltou. Segundo ela, a entidade fará promoções como bazares, pastelada e jantar dançante para arrecadar recursos, mas não há prazo para que a dívida seja sanada.
No Jardim União da Vitória (Zona Sul), sem receber o salário de dezembro e as férias, os 12 professores e funcionários do CEI Pastor Francisco Seixas, instituição mantida pela Associação Metodista de Assistência Social, também pararam as atividades. De acordo com Carvalho, trabalhadores de outras seis creches do município também estão sem pagamento e provavelmente entrem em greve nos próximos dias.
''A prefeitura firma o convênio mas não fiscaliza se a entidade tem condições de dar a contrapartida'', observou, acrescentando que, nos CEIs, cada criança matriculada recebe R$ 90, enquanto nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), mantidos integralmente pelo Executivo, o investimento é de R$ 400 por criança. ''Além disso, os professores dos CEIs recebem salários de R$ 506 e os dos CMEIs, R$ 950.''
Para solucionar o impasse, as propostas do sindicato são aumentar o valor dos repasses mensais ou vincular o pagamento de salários e encargos aos recursos da prefeitura. ''Também defendemos uma divisão mais justa do dinheiro entre os CEIS e CMEIs'', enfatizou.
No início do mês, o CEI Alaíde Fausto de Souza, na Vila Nova (Área Central), também entrou em greve por falta de pagamento. A situação foi normalizada 15 dias depois. O CEI Josefina da Cruz, no Jardim Bandeirantes (Zona Oeste), corre o risco de fechar as portas por não ter conseguido renovar a autorização de funcionamento por problemas na documentação.

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