O coordenador do Centro de Estudos da Segurança Pública e Direitos Humanos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pedro Bodê, acha que a iniciativa é positiva, mas tem receio de que haja uma hegemonia de participação dos órgãos de Estado, uma vez que estariam mais organizados e acabariam por legitimar as estruturas atuais. ''A não ser que os grupos se preparem bem para esse debate, o processo pode até ser democrático, mas não vai produzir mudanças. Temos uma defasagem grande em não se discutir a segurança pública.''
O coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual, Leonir Batisti, ressalva que, apesar da iniciativa de criar um conselho ser positiva, ele passa a ser inócuo na medida em que os resultados são poucos. ''Eu já fui chamado para participar de vários conselhos ligados à segurança pública e percebo que existe falta de vontade na hora de executar as ideias levantadas. Mais do que pessoas para discutir, é preciso pessoas para fazer.''
Bodê, que também é professor do curso de Ciências Sociais, defende que o Conesp formule políticas em relação à unificação e a modernização das polícias - por um processo de profissionalização - investimentos em inteligência, maior agilidade do Judiciário e medidas de prevenção. ''Falta um debate que proponha alternativas de fato.''
O secretário Serpa acredita que uma discussão importante seria a complementação de penas ou as penas alternativas, especialmente para os ''crimes mais leves''. Como representante do empresariado, Rodrigo Rocha Loures gostaria de debater medidas desde a melhoria da iluminação pública, policiamento ostensivo ou a corrupção nas polícias. (M.R.M.)

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