Em quatro anos de desenvolvimento do projeto Sinal Verde, a Secretaria Municipal de Ação Social conseguiu encaminhar 1.150 crianças e adolescentes que viviam em situação de risco nas ruas de Londrina. O projeto faz parte do Programa de Atenção à Criança e ao Adolescente e surgiu a partir da necessidade de melhorar a vida de menores que viviam do dinheiro arrecadado nos sinaleiros de vários cruzamentos da cidade.
Apesar do projeto ser contínuo, desde o início do mês as equipes da Secretaria de Ação Social estão realizando plantões noturnos, pois as lojas abertas e o grande fluxo de consumidores são um atrativo a mais para as crianças. O trabalho tem acompanhamento do Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente e da Polícia Militar.
‘‘A população precisa compreender que o correto é encaminhar os menores para programas oficiais, evitando os perigos das ruas, que só prejudicam o desenvolvimento da criança e do adolescente’’, explica a Secretária de Ação Social de Londrina, Sandra Nishimura. Segundo ela, desde a criação do projeto, foram realizadas 352 panfletagens, orientando a população sobre o problema social envolvendo menores carentes e o objetivo dos programas oficiais.
A coordenadora do Programa de Atenção à Criança e ao Adolescente, Sâmia Mustafa, explica que o projeto Sinal Verde funciona a partir da abordagem de crianças e adolescentes nas ruas. São seis educadores que têm a função de contatar menores que atuam como guardadores de carros que estejam vendendo alguma coisa ou mesmo pedindo esmola.
‘‘São situações que colocam a criança em risco’’, afirma Sâmia. Ela diz que o problema tende a se agravar porque a criança ou o adolescente pode se envolver em crime ou ainda ser vítima de exploração ou violência sexual.
Os educadores percorrem pontos estratégicos de Londrina, como os cruzamentos da avenida Higienópolis, Calçadão e a calçada do Hospital Evangélico. Segundo Sâmia, os meninos costumam receber bem a abordagem. Ela contabiliza um grupo de apenas 10 meninos e meninas que são considerados resistentes, ou seja, que não aceitam o encaminhamento para a família ou para as oficinas do projeto Educando, Brincando e Formando Cidadão.
Nestes oficinas, os menores têm reforço escolar, lazer, praticam esportes e aprendem a confeccionar artesanato. Ao todo são 15 oficinas localizadas em bairros da zona urbana e rural do município. Este trabalho mereceu prêmio da Fundação Muds, do Rio de Janeiro, como projeto destaque, no ano passado.
É com base neste resultado que a coordenadora do programa desenvolvido pela Secretaria de Ação Social afirma que a população precisa estar consciente dos projetos oficiais de encaminhamento de crianças carentes para evitar o aumento de menores nas ruas. Segundo ela, uma criança chega a ganhar R$ 15,00 por dia como guardador de carros no centro da cidade. ‘‘Isto é um estímulo para ele ficar na rua’’.
Segundo ela, o correto é acionar a prefeitura para que as providências possam ser tomadas, evitando que a criança faça da rua o seu local de sobrevivência. O projeto Sinal Verde pode ser acionado em horário comercial pelo telefone 329-3859. Além disso, existe o Disque-Criança, que atende pelo número 1407 para qualquer tipo de denúncia envolvendo crianças.

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