Mais de dois meses de espera por procedimento pelo SUS
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quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Fábio Galão<BR> Equipe da Folha 
Curitiba - Em julho, procurei uma unidade básica de saúde de Curitiba com objetivo de fazer um check-up. Iniciava-se um período, de mais de dois meses, de burocracia, chás de cadeira, idas e vindas. Nada traumático, mas exigiu uma certa paciência.
Procurei a princípio a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Campina do Siqueira, posto que julgava ser o mais próximo da minha casa. Na recepção, uma funcionária me informou que precisava fazer um cadastro para marcar check-up. Para isso, era necessário comprovante de endereço, que não tinha no momento. Voltei para casa para pegar uma conta de telefone. Voltei e fui encaminhado a outro funcionário.
Após uma consulta demorada ao sistema de informática da Secretaria Municipal de Sa© úde, ele me disse que não poderia ser atendido ali, porque a área de abrangência da UBS do Campina do Siqueira terminava em um certo numeral da minha rua. O posto de saúde da minha região seria a UBS da Praça Ouvidor Pardinho. Em tempo: uma consulta rápida ao Google Maps me permitiu saber que a distância da minha residência até os dois postos de saúde é rigorosamente a mesma.
No dia 22 de julho fui à UBS indicada. Após fazer o cadastro, retornei à recepção e marquei consulta com uma clínica geral para o dia 10 de setembro, a data mais próxima disponível. Fui informado de que precisava chegar ao posto meia hora antes da consulta, para confirmar o procedimento, caso contrário, minha vaga seria destinada para outro usuário.
No dia combinado, fui atendido pela clínica geral, que mediu minha pressão, fez algumas perguntas e requisitou exames de sangue e urina, e um eletrocardiograma. Para marcar os exames, tive que aguardar quase uma hora em um saguão localizado ao lado da entrada principal da UBS.
O eletrocardiograma foi mais rápido: havia data disponível para a segunda-feira seguinte. Já o exame de sangue foi marcado para duas semanas depois.
Ao final do último procedimento, fui à recepção novamente, para marcar consulta de ''retorno''. A funcionária recomendou: ''Daqui a uns dez dias, chega aqui no posto uma meia hora antes de abrir, e pede para se consultar com ela (a médica que havia me atendido). Se você for marcar data, só vai ser atendido em novembro.'' Segui a orientação da servidora e a ''novela'' chegou ao fim no dia 5 de outubro, quando fiz a última consulta.
A julgar apenas por essa pequena experiência, e não considerando as dezenas de reclamações e casos tristes que pipocam nos jornais todo dia, dá para dizer que a saúde pública do Brasil funciona. Mas fica a dúvida de quanto demoraria um procedimento mais complexo do que um simples check-up e a sensação de que a coisa poderia ser bem melhor.


