Mais de cinco mil esperam vaga em creches
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de janeiro de 2003
Lucinéia Parra<br> Equipe da Folha 
Maringá Apesar do aumento de cerca de 40% nas vagas oferecidas em creches municipais de Maringá nos últimos dois anos, a fila de espera nestas instituições ainda é de mais de cinco mil crianças. Três novas creches construídas em bairros carentes estão com inscrições abertas, mas as 420 novas vagas serão distribuídas prioritariamente para os filhos de mães que trabalham fora e cuja renda familiar é de até três salários mínimos.
A desempregada Susana Araújo, 28 anos, tem três filhos e aguarda com muita expectativa uma vaga na Creche Professora Tereza Leonel, que está com inscrições abertas. Dois filhos dela, com idade de cinco e três anos, já estão matriculados em uma creche, mas ela alega que precisa conseguir a vaga para o filho mais novo de um ano e nove meses para poder sair em busca de emprego.
Separada do marido há mais de seis meses, Susana disse que não recebe pensão alimentícia para os filhos e está mantendo a família com ajuda de entidades assistenciais. ''Se eu não conseguir vaga, não tem como conseguir emprego porque ninguém dá trabalho pra quem leva um bebê no colo'', justifica. Ela lamenta que a prioridade para conseguir a vaga seja para mãe que já trabalha fora. ''Deveria ser diferente porque, afinal, quem não trabalha também precisa deixar o filho na creche para ir procurar emprego'', destaca.
De acordo com a secretária de Educação de Maringá, Maria Pereira de Souza, no início de 2001 o município disponibilizava 5.598 vagas em creches. Neste ano, o número de vagas aumentou para 8.150 vagas. Segundo ela, a administração municipal espera ofertar até o final deste ano 9 mil vagas nas creches.
Segundo a secretária, há dois anos a fila de espera era menor porque a oferta também era menor. ''Quanto mais a gente faz, há mais procura porque mais pessoas ficam sabendo o que estamos fazendo e como estamos fazendo'', diz. Além disso, ela acrescenta que as dificuldades financeiras das famílias têm obrigado cada vez mais as mulheres trabalharem fora. ''Hoje, as mulheres têm até mais facilidade para arrumar emprego do que os homens; por isso elas lutam mesmo por vagas nas creches'', afirma.
Conforme Maria de Souza, o critério de seleção prioriza as mães que já trabalham fora porque em 2002 a administração recebeu denúncias de mães que estariam deixando os filhos nas creches mas não estavam a procura de emprego. Mesmo assim, ela orienta as mães que estão a procura de emprego a fazer as inscrições nas creches mais próximas de suas casas. O objetivo é deixar o nome da criança na fila de espera para que, assim que surja uma vaga, ela esteja na frente e tenha assegurado a sua matrícula.


