''Sou muito feliz pois estou vivendo porque Deus quer que eu viva.'' Com a simplicidade e sabedoria características dos mais velhos, seu José Antônio de Souza explicou como sobreviveu à morte da esposa e de 11 dos seus 16 filhos. ''Por mim, já tinha ido há muito tempo.''
Hoje ele completa 104 anos. Para comemorar, os filhos, netos, bisnetos e amigos da Assembléia de Deus vão preparar uma festa com bolo e refrigerante após o culto, amanhã à noite. ''Não contei para ele porque senão ele fica muito emocionado'', disse a filha Eunice, com quem ele vive, no Cafezal II, Zona Sul de Londrina.
Nascido em agosto de 1893 em Doutor Astolfo, Minas Gerais, seu José trabalhou desde os dez anos na lavoura de café. ''Gostava da lavoura, das plantações de cereais'', confessou. A vida toda ele apanhou café e carpiu cafezais até mudar-se para Londrina, em 1973.
''Aqui eu era vendedor de doce. Fabricava e vendia paçoquinha'', lembrou seu José, contando que chegou ao Paraná muito antes, na cidade de Ibiporã, em agosto de 1939. ''Em toda a vida morei somente em quatro cidades'', disse o lavrador, que casou em 1923, no Espírito Santo.
''Conheci minha esposa dançando num baile. Ela tinha 12 anos e eu 17. Quando nos casamos eu já tinha 20 anos. Aprendi muito, gostava muito dela. Mulher igual aquela não são muitos que têm'', declarou seu José. Dona Flausina Paula de Souza deu à luz 19 filhos, três deles morreram antes mesmo de nascer, segundo a filha Eunice. ''Em agosto, fará 19 anos que minha mãe faleceu.''
Conforme Eunice, hoje, além dela, apenas seis filhos ainda estão vivos. ''A mais velha mora em Curitiba, o mais novo em São Paulo e o restante está aqui em Londrina'', completou seo José, que conhece pouco os descendentes. ''Ao todo são 55 netos, 64 bisnetos e 18 tataranetos'', informou Eunice.
Hoje, seo José já ''não quer mais nada da vida''. A rotina dele resume-se em ''orar, conversar quando necessário, comer o que me dão e dormir'', assinalou. Entre os pratos prediletos dele estão arroz e feijão, polenta e carne de porco e frango. ''Ele esqueceu mas acho que o que ele mais gosta de comer é mingau de aveia. Quando eu faço ele fica doidinho'', contou Eunice.
Com uma ''saúde boa porque Deus está na minha vida'', o lavrador ''não tem doença ou dor de espécie alguma''. ''Só sou cego completamente'', afirmou seo José. O segredo para viver tanto? ''Esse assunto pertence a Deus. É só obedecer a Deus que Ele aumenta nossa vida'', ensinou. ''Ah, também nunca fui bagunceiro. Nunca bebi ou fumei. Mas apesar de velho, não larguei de ser safado. De vez em quando falo uma bobaginha'', brincou.

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