Os problemas envolvendo a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) e os 316 camelôs do Shopping Popular parecem não ter fim. A nova polêmica agora reside nas diferenças entre a lista oficial dos vendedores mantida pelo poder público e a que é considerada correta pelas duas associações que representam os camelôs. A Folha teve acesso aos dois documentos, cruzou os dados e constatou que existe uma diferença de 93 nomes entre uma lista e outra.
O grande problema é que a CMTU informou que não admitirá relações novas de camelôs, e que a única lista correta é a sua. ''Quem não estiver na nossa lista não receberá alvará para trabalhar no Shopping Popular'', diz Wilson Sella, presidente da Companhia.
A Folha requisitou à CMTU duas vezes, nas últimas três semanas, a lista completa dos camelôs, e nas duas oportunidades recebeu o mesmo documento. Trata-se de uma relação dividida em duas partes, uma com 94 vendedores da Associação dos Camelôs de Londrina (Acal) e outra com 222 camelôs filiados à Organização Não-Governamental (ONG) Canaã. A relação da segunda associação traz números de bancas que vão de 1 a 222, o que indica que se trata de um cadastro da época em que os vendedores ainda estavam na avenida São Paulo.
A mesma lista, dividida em duas partes foi anexada ao projeto de lei nº 06/2003, de autoria do vereador Orlando Bonilha, elaborado em janeiro com o objetivo de proibir a venda de boxes dentro do Shopping Popular.
Já a lista apresentada à Folha pelos camelôs é resultado de um recadastramento realizado no Shopping Popular pela ONG Canaã, entre os meses de janeiro e fevereiro. Apesar do número ser o mesmo nas duas relações (316 camelôs), o cruzamento das listas resulta na diferença de 93 nomes (91 da Canaã e dois da Acal) de proprietários de bancas, que poderão ter seu alvará negado pela CMTU.
''O benefício e os recursos públicos (R$ 1,17 milhão em cinco anos) foram destinados apenas para as pessoas que constam de nossa lista. Qualquer pessoa fora dela não poderá trabalhar no Shopping Popular'', justifica o presidente.
A Secretaria Municipal de Fazenda deve começar a expedir em maio os alvarás dos comerciantes que trabalham no local. Até a última sexta-feira, a CMTU havia recebido das duas associações que representam os camelôs a documentação de 150 vendedores. O presidente da ONG Canaã, Ulisses Sabino, informou que os dados pendentes serão enviados nesta semana.
A CMTU acredita que a comparação destes documentos com a lista considerada oficial pelo poder público poderá indicar se houve alguma irregularidade na mudança dos camelôs da rua para o Shopping Popular, como venda e transferência de boxes. Sella informou que até a semana passada a Companhia não havia recebido nenhum pedido oficial de desistência de boxes por intermédio das duas associações de camelôs.

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