Mais de 70% defendem volta dos quiosques
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sábado, 21 de novembro de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Sete em cada dez londrinenses são a favor da volta dos quiosques ao Calçadão de Londrina. É o que mostra pesquisa feita pelo Instituto Multicultural, encomendada pela Folha de Londrina e Rádio Paiquerê AM. E o desejo dos londrinenses deve ser atendido, uma vez que a administração municipal já sinalizou que pretende viabilizar o retorno dos estabelecimentos comerciais ao espaço no centro da cidade.
A pesquisa mostrou que 71,2% dos entrevistados defendem que o Calçadão volte a receber os quiosques, 23% são contrários e 5,8% preferiram não opinar. As 560 entrevistas foram feitas entre 11 e 15 de novembro e a margem de erro é de 2% para mais ou para menos. Outro levantamento, divulgado em fevereiro de 2014 pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), mostrou que 68% dos londrinenses eram favoráveis à volta dos quiosques e que a maioria pedia o retorno de lanchonetes, bancas de revistas e floriculturas.
A reportagem também conversou com moradores de Londrina para saber a opinião deles sobre a decisão da administração municipal de autorizar a volta das estruturas. A bancária Mara Pavanelli, de 36 anos, comentou que atendia muitos dos comerciantes que tinham quiosques no Calçadão. "Eu atendia eles diretamente. Tiraram o sustento de muitas famílias. Eu acho que não tinha empecilho algum para quem trabalhava aqui. Ficou ruim tanto para eles como para nós", opinou.
Para ela, os quiosques não atrapalham as vendas nas lojas. "Olha o fluxo do Calçadão, como é grande. Sem eles, ficou bem a desejar", declarou.
Já o encarregado de obras Antônio Donizetti Teixeira, de 59 anos, concordou que alguns tipos de comércio poderiam retornar ao espaço. "Sem os quiosques ficou mais amplo e os pedestres transitam melhor. Ficou mais aberto, mais bonito. Se voltar a ter, penso que floricultura e bancas tudo bem, mas permitir lanchonete e bar não é bom", analisou.
Desde que o prefeito Alexandre Kireeff anunciou o retorno dos quiosques ao Calçadão já se passaram seis meses. Segundo a presidente do Ippul, Ignes Dequech, o projeto já está na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Nesta primeira fase deverão ser implantados dois quiosques (um café e uma floricultura) entre a Rua Pernambuco e a Avenida Rio de Janeiro e um terceiro (café com banca de revistas) nas proximidades da Rua Minas Gerais. A redução de 12 previstos inicialmente para três quiosques aconteceu após reuniões com representantes da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e comerciantes que têm estabelecimentos no local. Outra questão que interferiu foi a intenção de instalar os chamados "parklets" ou minipraças no Calçadão.
Segundo Ignes, a minuta do chamamento público já está pronta. O processo está agora na fase prévia de elaboração dos orçamentos. "Não dá para chutar o valor do aluguel. Essa informação dependerá de um levantamento da Secretaria de Obras", explicou. Ela apontou que o conceito estético dos quiosques está pronto e deve ser divulgado nas próximas semanas. "O chamamento público sairá em breve, mas ainda não posso prever quando isso será lançado e nem os valores", declarou.
O último comerciante a ter o quiosque removido do Calçadão foi Romualdo Zandrini, que na época tocava uma sorveteria. O quiosque, que permaneceu no local por 32 anos, foi removido no dia 3 de junho de 2011. Diante da notícia de que o Calçadão pode voltar a ter quiosques, ele desabafou. "Não me interessa mais. Fiquei descrente dos políticos. Comecei a fazer sorvetes em Araraquara e vim para cá porque a patroa quis vir para Londrina, alegando ter muitos parentes aqui. Agora estou aposentado. Estou com 83 anos e parei totalmente de fabricar sorvetes. Nenhum filho quis seguir essa carreira", declarou.


