Mais de 50 pessoas aguardam para fazer cirurgia no HU
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quinta-feira, 17 de maio de 2007
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Carlos Rodrigo Givigier, de 15 anos, tem o tímpano perfurado e sofre com as secreções frequentes. ''Teve uma época que saía sangue'', afirma o jovem, que aguarda, há mais de um ano, uma cirurgia no Hospital Universitário (HU). Assim como ele, outras 53 pessoas estão na fila para realizar o procedimento cirúrgico no hospital. ''Acho que quando puder operar, vai mudar muito, porque quando o ouvido vaza me incomoda bastante e quando eu estou na aula, às vezes não escuto os professores direito''.
O equipamento, chamado micromotor, é utilizado em cirurgias decorrentes de infecções gerais do ouvido. Ele quebrou no começo do ano passado e foi roubado quando era levado para o conserto por uma transportadora. De acordo com a assessoria de comunicação do hospital, o aparelho é importado e custa R$ 28.300,00. ''A fila de pacientes à espera só aumenta, porque o HU é o único a fazer essa cirurgia pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em toda a nossa macrorregião. Se não for aqui, só em Curitiba'', aponta a diretora de Auditoria, Controle e Avaliação da Secretaria Municipal de Saúde, Joelma Teixeira Borian.
Das 54 pessoas que aguardam para serem operadas no município, 20 são pacientes que estão sendo acompanhados pela Secretaria de Saúde e 34 encaminhados pelo Consórcio Intermunicpal de Saúde do Médio Paranapanema (Cispemar). ''Enquanto isso, a gente vai dando antibiótico. Só que cada caixa custa R$ 150,00 por mês. Fica difícil para a gente pagar'', desabafa a mãe de Carlos Rodrigo, Luzia de Fátima Laranjeira Givigier. Ela diz que chegou a consultar dois médicos particulares para tentar a cirurgia. ''Só que tanto um como o outro pediram R$ 5 mil só para a operação, sem contar hospital, anestesia e remédios''.
Antes disto, ela arcou com o valor de uma tomografia para se certificar que o filho realmente precisava ser operado. ''Ele tem esse problema desde pequeno. De três anos para cá que os médicos vêm falando em cirurgia. Aí a gente pagou R$ 380,00 em três vezes para poder fazer uma tomografia e ter certeza de que ele precisava operar. Quando chegamos no HU com a autorização do médico, falaram que máquina estava quebrada, sem previsão de conserto''. Ela explica que a cirurgia iria resolver não somente o problema da secreção, mas também da perda auditiva que o rapaz vem sofrendo.
De acordo com a assessoria do hospital, o equipamento já foi licitado e está em processo de compra, só que, por ser importado, a tramitação é mais lenta. Não há previsão de chegada da máquina. Ainda de acordo com a assessoria, o HU costumava realizar uma cirurgia por semana e, por se tratar de um procedimento eletivo, os pacientes permanecem em fila de espera e acompanhamento clínico. Segundo Joelma, da Secretaria de Saúde, alguns pacientes chegam a ser encaminhados à capital do Estado, mas a rede pública de lá não consegue atender a demanda.


