Mais de 50 mil estudantes retornam às salas de aula
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 

Apesar do retorno dos 51.183 alunos ocorrer em meio à possibilidade de ausência de professores, o primeiro dia de aula na rede estadual de ensino foi tranquilo em todas as escolas de Londrina. A APP-Sindicato, que representa os trabalhadores da educação pública, havia programado um seminário na manhã de segunda-feira (19), na sede do sindicato, sobre a reforma da previdência social. A expectativa portanto, era de que não haveria aulas.
Mas o movimento nas escolas foi normal e tranquilo, afirmou a chefe do Núcleo Regional de Educação de Londrina, Lúcia Cortez. Ela informou que pela manhã, dos cerca de sete mil professores, apenas duas ausências foram registradas. "Um caso é no colégio Vicente Rijo e outro no Kazuco Ohara, mas a escola se reorganizou até porque já estava se preparando para isso e nenhum comprometimento na recepção aos alunos foi observado", comentou.
O presidente da APP-Sindicato, Márcio André Ribeiro, afirmou que cerca de 150 pessoas, entre professores e servidores, compareceram ao seminário. "Estamos cumprindo nosso papel, fazendo nossa função de chamar a categoria", disse. O ano letivo da rede estadual de ensino seguirá até o dia 19 de dezembro, com férias programadas entre os dias 13 e 30 de julho.
Cerca de 130 alunos do ensino médio começaram a estudar na manhã de segunda-feira no Colégio da PM (Polícia Militar) de Londrina, no Jardim Leonor (zona oeste).
O espaço onde funcionava o Colégio São José passou por reformas no pátio e salas de aulas, mas a parte administrativa ainda segue em obras. Ao todo, o colégio conta com 380 alunos do 6º ano do ensino fundamental até o 3º ano do ensino médio.
Destes, 260 já estudavam na escola e 120 foram aprovados na prova classificatória aplicada no mês de janeiro. Dos selecionados, cerca de 50 alunos são filhos de policiais militares. É o caso de Matheus Kalizak Feitosa, 16, de Cambé. Ele é aluno do 3º ano do ensino médio e estava cheio de expectativas no primeiro dia de aula, pois há dois anos decidiu seguir carreira militar.
"É a realização de um sonho. Gosto do militarismo e acredito que terei uma boa qualidade de ensino. As turmas são reduzidas a aproximadamente 15 alunos e a questão da disciplina é levada a sério. Todos as manhãs, cantamos o hino e o chefe de turma verifica o uso correto do uniforme", exemplificou.
Além de Feitosa, há outros sete estudantes de Cambé, além de outras localidades, como Jaguariaíva (2 alunos), Cornélio Procópio (3), Ibiporã (2), Ibaiti (1), Uraí (1), Apucarana (1) e Curitiba (1).
A aluna do 1º ano do ensino médio, Mariana de Campos Mariano, 14, é de Ibaiti (norte pioneiro) e para frequentar a escola está morando na casa da amiga que também é colega de classe. "Fiz duas provas para estudar no colégio militar em Curitiba, mas só passei na terceira tentativa, aqui em Londrina. Estava muito ansiosa pelo primeiro dia porque eu sabia que seria diferente. Em poucas horas deu para perceber o respeito com os professores, a disciplina quanto à roupa, acessórios e cabelo", contou.
Por enquanto, os alunos têm como uniforme, calça jeans, tênis discreto e camiseta branca. Uma parceria vem sendo articulada para promover os uniformes ao alunos que já estudavam no colégio. Os novos terão o custo de R$ 700 para o uniforme completo. Além do vestuário, os estudantes devem seguir padrões. Por exemplo, no caso das meninas, o cabelo deve estar sempre preso, a cor do esmalte não pode ser colorida e a maquiagem não pode ser forte.
De acordo com o capitão Alfredo Euclides Dias Neto, responsável pelo Colégio da PM, a maior diferença entre as escolas tradicionais "é o ensino de valores como filosofia, disciplina, respeito e responsabilidade." Dentre os professores, 21 são da rede estadual de ensino e quatro são militares com formação na área de ensino.
Além do Colégio da Polícia Militar, os estudantes do Colégio Estadual Vista Bela (zona norte) também inauguraram as salas de aula. O colégio funciona em dualidade com a rede municipal de ensino e atende 2.500 estudantes entre o ensino fundamental e ensino médio.


