Doze milhões de brasileiros não têm uma religião. Destes, exatos 26.601 residem em Londrina, que tem 488 mil habitantes. Os números são do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), relativos ao ano 2000. O fato de não declararem uma religião não significa que se trate unicamente de pessoas que não crêem em uma divindade, mas são um indício de que a proporção de pessoas adeptas ao ateísmo ou agnosticismo vem crescendo com o passar dos anos.
Para o pastor Vanderlei Frari, professor de teologia sistemática na Faculdade de Teologia ISBL, o aumento se deve em parte pela pouca orientação religiosa dedicada a crianças e jovens. ''Não há mais ensino religioso nas escolas, e mesmo dentro dos lares o assunto vem sendo pouco abordado'', avalia. O pastor alerta que, dos que acabam se tornando ateus, muitos o fazem sem uma reflexão mais aprofundada a respeito, em alguns casos sob influência de outras pessoas.
Frari lembra ainda que algumas pessoas têm uma idéia equivocada sobre os conceitos de ateísmo e agnosticismo. ''Ateu é a pessoa que não acredita em Deus e nem em nenhuma espécie de divindade. Já agnóstico é quem considera ser impossível provar a existência de Deus, e por isso muitas vezes opta por não acreditar'', esclarece.
Entre essas duas categorias, há ainda aqueles que se dizem ateus por não encontrar uma denominação melhor para sua forma de enxergar a vida. Hugo Yuichi Kitanishi, 24 anos, é um deles. O estudante afirma não acreditar no Deus bíblico, imagem e semelhança do homem, mas admite a existência de uma energia que rege a natureza. ''Eu creio na humanidade. Acho que o homem pode encontrar a sua própria libertação, e que a verdadeira evolução vai ser o reencontro do homem com o homem'', revela.
Para o professor de teologia, porém, casos como o do estudante não se encaixam nem no ateísmo nem no agnosticismo. ''Se a pessoa crê em uma força inexplicável ou superior, ela é uma religiosa, mas não sabe'', define.

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