Um levantamento feito pelos conselheiros revela que há 4.330 crianças de 0 a 6 anos inscritas nas listas de espera das 75 creches de Londrina. São 1,2 mil na Zona Sul, 1.376 na Zona Norte e 1.754 na área atendida pelo Conselho Tutelar do Centro, que engloba também as zonas Leste e Oeste.
O número dos ''sem-creche'' pode ser bem maior, alerta a presidente do Conselho Norte, Edeni Ramos Vilela. Isso porque, segundo ela, muitos pais sequer conseguem cadastrar os filhos nas creches porque não atendem aos requisitos exigidos pelas instituições, como estar empregados. ''O ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) não diz que há critérios para se aceitar uma criança na creche, mas sim que todas têm direito. Como uma mãe vai sair para procurar emprego, por exemplo, se não tem onde deixar o filho?'', questiona.
Edeni lembra que o Conselho Tutelar entrou com uma ação na Justiça em 2000 para exigir o aumento da oferta de vagas em creches de Londrina. Os conselheiros querem que o processo seja revisto, com a demanda já atualizada, e que o Município seja cobrado a ampliar as creches existentes e construir novas.
Uma das consequências da falta de creches é o aumento do número de crianças que ficam sob o cuidado de avós, tios ou até mesmo irmãos, na ausência dos pais. A conselheira Flávia Maria Pereira, da Zona Sul, diz que muitas dessas crianças acabam chegando aos conselhos com problemas de comportamento. ''Elas não vêem naquele parente responsável uma autoridade.''
A reportagem tentou contato com a secretária municipal de Educação, Carmem Sposti, na prefeitura e pelo celular, sem sucesso. A informação é de que ela estava em reunião. A diretora de tecnologia e apoio educacional da secretaria, Daniela Zanoni Lima, informou apenas que aguarda para a próxima segunda-feira o levantamento oficial de quantas crianças esperam por vagas na educação infantil.

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