Rosana Fátima de Souza, que tem 19 anos, mora há seis anos com Márcio Botelho de Souza, de 37 anos. Eles têm um casal de filhos. Mesmo com esses anos juntos, eles ficaram emocionados ao se casar ontem, numa cerimônia civil e religiosa que uniu 111 casais no Ginásio Moringão em Londrina.
Ela comprou um conjunto branco de blusa e calça comprida especialmente para a ocasião e alugou um buquê de rosinhas artificiais. Márcio vestiu terno preto e gravata. Ele trabalha como auxiliar de cozinha e diz que não tinha condições de pagar um casamento no cartório, que custa R$ 120,00. Para o casamento conjunto, pagou apenas R$ 20,00 e mostrou orgulhoso a certidão de casamento. Também exibiu a aliança no dedo anular da mão esquerda.
Assim como Rosana e Márcio, a maioria dos casais que participaram do casamento coletivo apenas oficializou a união. A cerimônia foi organizada pelo Crencri (Centro de Recuperação Novas de Cristo) e pela Ordem de Ministros Pentecostais do Brasil, que ajudaram a pagar os custos do cartório.
O casamento civil começou às 9 horas. Em seguida, houve a cerimônia religiosa com 50 pastores de Londrina e região. Os noivos também vieram de outras regiões e até do Oeste paulista. No meio da tarde, foi servido um lanche para os noivos e familiares. Cerca de 3 mil pessoas participaram da festa.
Arlete Silva dos Santos, 24 anos, é mãe de cinco filhos: com idades de 9, 7, 5, 2 e 1 ano. Mora há quatro anos com Luciano Brás dos Santos, de 25 anos, que trabalha na Prefeitura de Londrina. Ela conta que o sonho dela era se casar na igreja. Moradores do Jardim União da Vitória (zona sul), dizem que não tinham dinheiro para o casamento oficial. ''Estamos muito felizes. Não dava para ficar assim, não. Agora, com essa aliança, fica mais sagrado e é uma responsabilidade a mais.''
A religião também motivou o casal Lourdes e Marcelo Nogueira Soares a se casarem ontem. Moram juntos há três anos no Jardim União da Vitória e têm uma filha de dois anos. São evangélicos e acreditam que viver juntos sem se casar no religioso não é boa coisa. ''Agora podemos participar mais ativamente na vida da Igreja. Estamos felizes'', disse ele, complementando que à noite não ia ter lua-de-mel. ''Só vai ter lua.''

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