Até a tarde de ontem, 35 armas de fogo já haviam sido entregues espontaneamente pela população à Polícia Civil na região de Londrina. Segundo o comando da 10 Subdivisão Policial (SDP), as doações são reflexo do Estatuto do Desarmamento, promulgado no último dia 22 de dezembro, e de uma lei do governo estadual que estabelece o pagamento de R$ 100 de bônus a cada cidadão que entregar uma arma.
A primeira arma demorou a ser entregue foi doada na quinta-feira da semana passada , mas desde que a campanha foi divulgada pela imprensa, no início desta semana, o ritmo das doações cresceu. O delegado-adjunto da 10 SDP, Jorge Barbosa, acredita que o mês de janeiro deve fechar contabilizando cerca de 100 armas entregues.
''A divulgação na mídia ajudou, sem dúvida. Recebemos várias ligações de pessoas dispostas a colaborar'', afirma o delegado. Segundo Barbosa, a grande maioria das armas é de revólveres calibres 38, 32 e 22. Também foram doadas pistolas de calibre 22. ''As pessoas que doam as armas têm motivações variadas. Umas temem a nova lei (o Estatuto), outras não querem mais ter (armas) em casa, outras estão mesmo aderindo à campanha pela paz'', diz o delegado.
O Estatuto do Desarmamento prevê pena de dois a quatro anos para quem for detido com arma sem registro, e de três a seis anos para quem estiver com arma suprimida (furtada ou roubada). Flagrante de porte de arma e/ou munição sem registro passou a ser crime inafiançável. Nos próximos dias, os armamentos entregues serão enviados à Delegacia de Explosivos, Armas e Munições (Deam), em Curitiba, para serem destruídos. Os bônus de R$ 100 devem ser pagos em seguida.
O apicultor José de Agosta Neto, 60 anos, entregou um revólver Taurus 32 na 10 SDP. Ele diz que mantinha a arma para a segurança de sua chácara, na zona norte de Londrina, mas nunca a usou. ''Moro no Centro e estou sempre transitando entre o apartamento e a chácara, que já sofreu oito furtos nos últimos seis anos. Nunca roubaram quando eu estava lá. Mas não quero mais ter arma. Se você reage ao assaltante, ele pode atirar. Se roubarem alguma coisa, a gente compra de novo. É melhor continuar vivo'', comenta.

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