Mais ágeis e abrangentes
A professora Kelly Prudêncio, da UFPR, tem como área de pesquisa a mobilização política pela internet, mídia e movimentos sociais. Ela diz que esses movimentos buscam a adesão do maior número de pessoas possíveis para chamar a atenção da mídia e, com isso, aparecer em meios de comunicação tradicionais como jornais e a televisão.
A professora levanta que é difícil dizer se as pessoas estão mais organizadas ou se a internet cria maior identificação entre as pessoas que as motivem a realizar tais manifestações. Ela sustenta que uma manifestação como essa, se não tiver uma pré-organização fora do ambiente virtual, não terá muito sucesso e que se não houver receptividade o efeito não seria o mesmo.
''É preciso também que haja uma predisposição para realizar a manifestação como aconteceu no Irã'', exemplifica. Ela cita também um churrasco-protesto realizado na semana passada em São Paulo, em frente a um shopping center no bairro de Higienópolis, pedindo que o local de uma futura estação de metrô não fosse alterado. ''Aquele protesto foi convocado por uma rede social da internet'', relata.
Kelly afirma que o advento das redes sociais tornou a convocação para manifestações presenciais mais ágil e mais abrangente. ''Isso não quer dizer que essas manifestações não existissem antes da popularização das redes sociais, pois há registros de manifestações contra o FMI realizadas simultaneamente em vários locais do globo e também no local onde o FMI realizava a sua reunião'', conta. Kelly relembra que essas manifestações eram convocadas por correio eletrônico.
A professora diz que a internet possibilita que exista o ativismo a distância. ''Eu posso estar em Curitiba e manifestar meu apoio a uma causa em outro lugar'', expõe. Ela diz que mesmo que o manifestante não tenha a possibilidade de comparecer presencialmente, ele pode manifestar o seu apoio pela rede. ''E isto é interessante, porque eu posso 'curtir' uma causa'', conta.
Ela cita o teórico francês Dominique Wolton, que diz que a internet não é boa, não é má e nem é neutra, e sim um instrumento de quem a utiliza. (V.O.)





