Mais afeto, menos remédios
Mas, o trabalho não pára por aí. Os hospitais têm sido alguns dos locais mais requisitados pelo projeto. ''O ambiente hospitalar não é agradável, sobretudo às crianças. Com a visita dos animais, por alguns instantes elas se esquecem do momento de dor. Isso tem mostrado resultados efetivos na aceleração do processo de recuperação e até mesmo redução no uso de medicação'', destacou a psicopedagoga. Ainda conforme ela, a presença dos cães causa grande movimentação onde fazem visitas. ''Todos querem ver, tocar, puxar, principalmente as crianças. É um momento de descontração.''
Atualmente, o projeto conta com quatro cães e apenas cinco voluntários. ''Queremos muito expandir nosso trabalho a mais entidades, porém, a equipe é pequena'', declarou. Para ser um cão destinado à terapia assistida, os animais passam por rigorosos treinamentos e acompanhamento veterinário. Além da higiene dos animais, outros cuidados com a saúde do bicho têm uma frequência maior que a dos domésticos. Durante as visitas são acompanhados por um dos adestradores e um veterinário.
Para a coordenadora do projeto de psicologia do HU, Jane Biscaia Hartmann, apesar da grande resistência por alguns profissionais de saúde e da comissão de infecção hospitalar, os benefícios no tratamento dos pacientes têm sido reconhecidos. Desde abril, o projeto faz uma visita mensal ao hospital, e já trouxe grandes retornos. ''As pessoas internadas acabam perdendo sua referência como sujeito. O relacionamento com os animais possibilita a humanização, que repercute não só no tratamento, mas devolve a qualidade de vida e sua condição de normalidade'', afirmou.
Jane, que tem contato direto com os pacientes, comenta que as mudanças de humor e atitudes são visíveis logo no primeiro momento. ''Muitas vezes, o comportamento do paciente que está deprimido, calado, muda após as visitas. Percebemos que isso se desdobra ao longo dos dias e contribui em sua recuperação'', revelou. (M.T.)





