O delegado do 1º Distrito Policial, Edmo Ermenegildo, que preside o inquérito sobre a morte do pastor José Idalécio Bueno, ouviu, ontem à tarde, em Ibiporã, mais quatro testemunhas. O pastor morreu no dia 9 de março, segundo denúncias, após ter sido espancado por policiais militares, em frente ao Posto da Polícia Rodoviária de Ibiporã. O inquérito pode ser concluído até o final desta semana.
Entre as testemunhas ouvidas ontem, estão Marta Ferreira, que mora em frente ao posto policial onde ocorreu a agressão. Segundo o delegado, ela apenas disse que a vítima foi levada pelos policiais até o posto rodoviário. Já o médico Fernando Cardoso Solano confirmou que o pastor já chegou morto ao Hospital Cristo Rei e que ele apenas encaminhou o corpo para o Instituto Médico Legal (IML).
O delegado informou que foram ouvidas cerca de 10 testemunhas e, para a conclusão do inquérito, está apenas esperando uma resposta do IML de Londrina sobre a viabilidade de realizar exames solicitados pelos advogados da família da vítima. Os exames são de sanidade mental nos policiais envolvidos, nas roupas e no cadáver de José Idalécio. Ele acredita que obterá uma resposta até o final da semana.
Os policiais militares acusados são o sargento Levi Teófilo e os soldados Antônio Marcos Pereira, Amilton Rodrigues dos Santos e João Reis. Também estão envolvidos no caso os policiais rodoviários Florisvaldo de Jesus Spolador, Aluísio Martins Cardoso, Dirson Domingos Thomé, Sérgio Noveli e Cláudio da Cruz Oliveira. Todos eles já foram ouvidos pelo delegado e indiciados por lesão corporal seguida de morte. O caso do pastor é investigado também no Inquérito Policial Militar (IPM), cujo relatório deverá ser divulgado no dia 17 deste mês.
Uma semana após a morte do pastor aconteceu um quebra-quebra que resultou na destruição total do posto rodoviário e em estragos na delegacia de Ibiporã. A depredação aconteceu após uma passeata realizada por familiares e amigos do pastor. O delegado Itiro Hashitani, do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre), de Curitiba, que preside o inquérito para apurar as responsabilidades pelos danos, informa que já foram identificados 75 pessoas envolvidas diretamente no caso.
O delegado explica que todos os acusados são de Ibiporã, sendo que 21 deles são menores. Ele conta que eles foram identificados através das filmagens realizadas pelas emissoras de televisão e também através de testemunhas ouvidas durante o inquérito policial. Ele diz não saber quantas outras pessoas terão de ser ouvidas, mas revela que o inquérito poderá ser concluído até o final desta semana.

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