Uma movimentação diferente tomou conta do Calçadão de Londrina, no trecho entre a Avenida Rio de Janeiro e Rua Minas Gerais, logo no começo da manhã de ontem. O motivo foi a demolição de mais três quiosques, que ocupavam há décadas áreas do passeio público. Às 7 horas já estava no local um efetivo de 141 homens, formado por 40 policiais militares, 20 agentes municipais de trânsito, 51 guardas municipais e 30 operários, que se encarregaram de recolher os equipamentos das três lanchonetes e desmontar as estruturas. Foram retirados do Calçadão a Lanchonete do Dedé, o Chopão e o Café Mirim.

O clima entre os proprietários era de indignação. ''Não me avisaram. Ontem liguei para o prefeito Barbosa Neto, que disse não saber de nada. Fui informado hoje (ontem), às 6 horas, pela minha vizinha que escutou uma movimentação e me ligou'', disse José Novaes Bacelar, proprietário da Lanchonete do Dedé. Ele diz ter comprado o ponto há 12 anos e que pagava R$ 1.130,00 por mês à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), mais impostos. ''Emprego cinco funcionários, minha mulher e meus dois filhos trabalham aqui, ainda não sei o que vou fazer'', declarou.

Bacelar admitiu que recebeu a notificação para retirar o quiosque do local há cerca de 60 dias, mas que não conseguiu encontrar uma alternativa. ''Queria que tivesse tido mais diálogo por parte do poder público. Eles tratam a gente como se tívessemos invadido o local.'' Ele afirmou à reportagem não saber para onde estavam sendo levados os equipamentos da lanchonete, mas de acordo com a assessoria de imprensa da CMTU, o local havia sido definido de comum acordo entre proprietários e prefeitura. Enquanto desmontavam o balcão da lanchonete, os operários encontraram um rato e uma pomba mortos.

Elquisson Moreira Pieroti, proprietário da lanchonete Chopão, foi avisado da demolição por seu advogado. ''Estou tranquilo, por enquanto não sei se vou reabrir a lanchonete em outro lugar. O que couber de recurso vamos tentar, mas os seis funcionários que tenho serão demitidos'', informou.

Aparecida Miranda Dandreia, moradora de um edifício em frente aos quiosques há 20 anos, foi quem informou os proprietários sobre a demolição. ''Avisei porque da última vez o pessoal da CMTU invadiu os quiosques para a retirada das mercadorias e dos pertences, e isso não é certo.''

Segundo o presidente da CMTU, André Nadai, a ação integrada com a PM e Guarda Municipal foi necessária para evitar riscos de confrontos, como houve anteriormente. ''Precisávamos garantir a segurança de todos'', disse. Ele lembrou que os comerciantes pediram um prazo para se retirar do local e este prazo foi dado, mas ninguém saiu. ''A maioria está em situação irregular, alguns exercendo atividade diferente do que foi autorizado. Temos que desocupar o espaço para poder abrir licitação para os novos quiosques, como está previsto no projeto de reforma do Calçadão'', argumentou.

Anteriormente a CMTU já havia demolido 10 outros quiosques no Centro. O último a desarecer tinha sido uma casa de sucos e salgados na esquina da Rua Piauí com Avenida São Paulo, no dia 23 de junho. (Colaborou Kalinka Amorim)

mockup