Mais 3 oficiais paraguaios são presos
PUBLICAÇÃO
domingo, 26 de julho de 1998
Lúcio Flávio Moura Especial para a Folha 
Mais três oficiais da Polícia Nacional (PN) paraguaia - cujos nomes não foram revelados - estão presos desde sábado, acusados de participação na quadrilha especializada em receptação e comercialização de carros roubados no Brasil, desbaratada na última quinta-feira, em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil. Outras 11 pessoas envolvidas no esquema também foram presas em Assunção.
O grupo foi detido depois de blitz em algumas oficinas clandestinas nos arredores da capital paraguaia. A operação teve a participação de empresários e sindicalistas brasileiros do setor de transporte que ajudaram na identificação de três caminhões. Os veículos - três Scania de proprietários paranaenses, um de Foz do Iguaçu (placa AEJ-6412), um de Ponta Grossa (placa ACI-5838) e outro de Cascavel (placa AHC-2876) - tinham cor e chassi adulterados. Os caminhões foram devolvidos aos proprietários ontem pela manhã.
Os oficiais estão detidos na sede da Polícia Nacional, em Ciudad del Este, junto com o chefe departamental da PN, Antoliano Romero Cuenca, o chefe de Investigações, Cristóbal Jara Sosa, e mais dois investigadores não-identificados. Na quinta-feira, o juiz Romero Orrego, do Tribunal de Justiça de Ciudad del Este, decretou a prisão dos policiais após encontrar no quintal da residência de Cuenca 11 veículos roubados de procedência brasileira.
O flagrante foi possível graças a insistência do ex-policial Raul Samaniego, que fez várias denúncias após sair da polícia. Segundo Samaniego, os colegas o pressionaram a integrar a quadrilha de Elfídio Mendoza, a maior em roubos de veículos do Paraguai. O denunciante explicou que a PN simulava a recuperação dos veículos roubados por Mendoza, que acabavam vendidos depois de adulterados em oficinas clandestinas.
A Polícia Federal estima que o Paraguai recebe, a cada ano, um número próximo de 150 mil veículos roubados no Brasil. Grande parte destes carros e caminhões ultrapassa a fronteira pela Ponte da Amizade (que separa Ciudad del Este de Foz do Iguaçu) ou por embarcações clandestinas que transitam no Lago de Itaipu.


