Marcos Borgens



VestígiosAmostras de pele, carne e sangue foram recolhidas para exames; no lamaçal, pegadas do predador

Vinte e três ovelhas foram mortas na madrugada de ontem, na Fazenda Roseira, em Sertanópolis (40 quilômetros ao norte de Londrina). Os animais foram encontrados espalhados pelo pasto, com perfurações pequenas e profundas no peito e nas patas traseiras. Restos de uma das ovelhas foram encontrados a aproximadamente 300 metros do local do ataque.
O médico-veterinário da Secretaria Estadual da Agricultura (Seab) em Bela Vista do Paraíso, Antônio Reis, esteve na fazenda e recolheu amostras de pele, carne e sangue de ovelhas mortas para exames laboratoriais. Pelas marcas encontradas nos animais, ele suspeita que o ataque é obra ‘‘de um ou mais cachorros de porte médio’’.
O caseiro da fazenda, João da Silva, 47 anos, disse que o ataque aconteceu entre 1 e 2 horas da madrugada. ‘‘Eu ouvi um uivo e os animais correndo pelo pasto. Não saí porque estava escuro e eu estava sem arma. De manhã, encontrei todos os animais mortos’’, contou. Segundo o caseiro, durante o ataque os dois cachorros da fazenda se recolheram embaixo da casa dele, a menos de 100 metros do pasto.
A proprietária da fazenda, Hilda Figueira Brandini, 47 anos, disse que já aconteceram ataques de cães na propriedade, mas nenhuma ovelha tinha sido morta. ‘‘Fizemos curativos e conseguimos mater os bichos vivos. Desta vez foi diferente de tudo o que conhecemos’’, ressaltou.
Hilda se mostrava receosa por causa das pequenas e profundas perfurações encontradas. ‘‘O veterinário disse que o animal pode voltar a atacar na região. Nas fazendas vizinhas há outros rebanhos de ovelha. Os fazendeiros já estão recolhendo os animais e devem fazer campana’’, disse.
No início da tarde, foram encontradas amostras de pêlos de um predador na cerca de arame farpado. Para Hilda, possivelmente são pêlos de cachorro. A 20 metros da cerca, num lamaçal, marcas das patas do animal que atacou se misturavam às pegadas das ovelhas. O veterinário deixou a propriedade antes dos pêlos e das pegadas serem encontrados.
Na madrugada do dia 5, 66 ovelhas foram mortas e 19 ficaram feridas num ataque na Fazenda Vale do Sol, em Ortigueira (130 quilômetros ao sul de Londrina). Professores do Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina (UEL) examinaram animais feridos e mortos e chegaram à conclusão que o ataque foi de cães.
Cães selvagens A Universidade de Campinas (Unicamp) divulgou ontem o laudo de um ataque de ovelhas registrado na região de Presidente Prudente (SP). As amostras de pêlos dos possíveis predadores levaram à conclusão que as ovelhas foram mortas por cães selvagens.
Os peritos da Unicamp ligam o fenômeno dos ataques a animais no campo aos desmatamentos e à grande quantidade de cães vadios que circulam pelas cidades. Ao fugirem para a zona rural, se adaptam ao novo meio, tornando-se selvagens e se organizando em matilhas.

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