A Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU) vai ampliar a coleta seletiva em Londrina. O objetivo é conseguir lixo suficiente para fornecer aos 22 garimpeiros tirados do ‘‘Lixão’’ e para as organizações não-governamentais que estão sendo criadas pelos catadores de rua. ‘‘Hoje tenho muita gente para pouco lixo’’, afirmou o presidente da CMTU, Wilson Sella.
Para evitar que falte lixo para as ONGs e os garimpeiros a CMTU já começou a ampliar a coleta seletiva. Segundo o supervisor do setor, José Paulo da Silva, na próxima semana as regiões norte e leste passarão a ser atendidas pelo serviço, o que significa mais 23 bairros separando o lixo reciclável.
Dos 138 bairros da região central e adjacências que já são atendidos, metade passará a contar com a coleta duas vezes por semana. Com isto, segundo Silva,
a expectativa é de em 10 dias aumentar a quantidade de lixo reciclável de 9 toneladas/dia para 15 toneladas/dia.
Para abastecer ONGs e garimpeiros na Fazenda Refúgio a CMTU conta ainda, de acordo com Silva, com um estoque na Central de Triagem de 20 toneladas. ‘‘A coleta ficou estacionada em 9 toneladas/dia pela dificuldade de escoamento’’, explica Silva. A Central de Triagem, segundo ele, não comportava o armazenamento de mais material e faltava gente para fazer a reciclagem.
Sella afirma que com as ONGs e os garimpeiros agora é possível aumentar a quantidade de lixo recolhido. ‘‘Este trabalho tem que ser feito concomitantemente’’, explica. Os antigos garimpeiros do ‘‘Lixão’’ ainda estão descrentes de que o trabalho na Fazenda Refúgio possa dar certo. Acostumados com uma grande quantidade diária de material, eles estão estranhando a quantidade reduzida que chega até a Fazenda Refúgio.
Edson Isaías trabalhava há 22 anos no ‘‘Lixão’’ . ‘‘Eu tirava até R$ 200,00 por semana, aqui pelo jeito a gente vai tirar R$ 100,00 por mês’’, afirma. Ele e outros garimpeiros reclamavam da pouca quantia de papelão e latas de alumínio conseguidas em um dia de trabalho pelo grupo.
O supervisor da coleta seletiva na CMTU explica que é compreensível a reação dos garimpeiros. ‘‘Nós estamos mudando uma rotina de trabalho deles de 22 anos’’, explica. ‘‘Eles estavam acostumados a trabalhar com grandes quantidades e não com qualidade. O lixo que eles irão separar na coleta seletiva é mais limpo e por isso tem mais valor.’’
Silva dá o exemplo do caso do papelão. ‘‘O papelão que eles recolhiam no Lixão vale R$ 0,08 o quilo porque é sujo. O da prefeitura vale R$ 0,30 o quilo.’’ Segundo ele, em uma semana os garimpeiros começarão a perceber esta diferença. O ex-garimpeiro do ‘‘Lixão’’, Edson Isaías diz que eles irão dar um crédito de 15 dias para a prefeitura. ‘‘Se não der certo voltamos para o Lixão’’, afirma. ‘‘Se a gente ver que dá certo vamos formar uma cooperativa.’’

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