Maioria trabalha fora da cidade
Sarandi, com 113 quilômetros quadrados de área, comemorou em outubro seus 17 anos de fundação. Ninguém sabe ao certo o número total de habitantes da cidade. O Ipardes projeta um total de 73.996 habitantes até o final do ano. No entanto, do prefeito Júlio Bifon (PSDB) ao contínuo, passando pelo delegado José Aparecido Jacovós, ninguém duvida: Sarandi tem mais de 100 mil habitantes.
Cinquenta mil de seus moradores trabalham em Maringá, a 7 quilômetros de distância na direção oeste. A ligação entre os dois municípios é feita por pista de mão dupla, com canteiro central, sem nenhuma proteção para os pedestres (semáforos, viadutos, passarelas). Há pelo menos um acidente fatal por mês com pedestres na via de ligação.
A explicação oficial é de que muita gente mora em Sarandi porque o preço do aluguel de terrenos, casas, apartamentos é muito mais barato. Por isso, Sarandi é conhecida como cidade dormitório de Maringá.
Apesar de 80% de seus habitantes serem carentes, a comunidade se esforça para tentar desmistificar o apelido e se transformar em uma cidade de médio porte com autonomia política, social e econômica. Em 1996, Sarandi detinha a 5ª maior arrecação de ICMS do Estado. É uma das cidades que mais cresce no Paraná: é a 22ª colocada no ranking de população no Paraná e a 2ª no ranking da Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep ou microrregião 9).
Há dois anos, o serviço de assistência social da prefeitura faz um trabalho inédito na região: dá cestas básicas, passes para transporte coletivo, remédios e roupas em troca de trabalho no viveiro de mudas e na varrição de ruas. O programa já atendeu mais de mil pessoas.
O Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente retira das ruas meninos e meninas. Os dependentes de drogas são internados em clínicas especializadas de Maringá. O Sistema Público de Emprego e Relações do Trabalho (Sempre), do governo do Estado, mantém cursos profissionalizantes e um dos últimos a ser abertos foi o de horticultura. A prefeitura tem 50 agentes de saúde combatendo a dengue e mais 30 visitando as casas dos 68 loteamentos de Sarandi.
Há mais de 6 mil veículos emplacados na cidade, que planta 6 mil hectares de soja e mais 4 mil de trigo. Entre comércio, indústria e prestação de serviços, existem mais de 1,8 mil empresas. Nos fundos de quintal, também é grande o número de microsserralherias e facções.
No ano passado, a prefeitura aplicou 19% de seu orçamento na área social (R$ 1,6 milhão). Neste ano aplicou mais: 26% (R$ 2 milhões). Sarandi tem um hospital particular com 68 leitos e quatro postos de saúde, sendo um 24 horas, além de duas ambulâncias. Tem ainda 24 escolas municipais, estaduais e rurais, mais de 14 mil alunos, nove creches que atendem mais de 1.500 crianças e um Caic, com mil alunos.
Apesar de todo esse esforço, apenas 600 casas de Sarandi têm rede de esgoto. As outras 17 mil residências usam o sistema de fossa. Nos 68 loteamentos, metade das casas estão semi-construídas; muitas ainda não pagaram o poste que traz a energia elétrica e custa R$ 13,00. A metade das ruas da cidade é de chão batido, algumas cascalhadas. O asfalto, nas vilas, é esburacado.
Segundo o agente operacional do Sempre, Orivaldo Pinto Ribeiro, 20% da população de Sarandi está desempregada. A culpa, segundo ele, é da crise econômica, da modernização, da tecnologia e da falta de qualificação profissional. (M.V.)





