Maioria inscrita tem baixa renda
Está enganado quem pensa que a maioria dos inscritos para o vestibular da Universidade Federal do Paraná é de alunos bem preparados por cursinhos e provenientes de famílias com boa remuneração, capazes de sustentar seus filhos em cursos pré-vestibular e universidades. Uma pesquisa feita pela UFPR junto aos inscritos, mostrou que a realidade é bem diferente: 53% praticamente não se prepararam para o concurso, sendo que 45% não fizeram cursinho e outros 8,7% frequentaram estes cursos por menos de um semestre. A situação econômica dos inscritos também não é folgada: 39% têm renda familiar entre R$ 500,00 a R$ 1.5 mil e na maioria absoluta dos casos apenas duas ou uma pessoa da família trabalha para o sustento em média de quatro pessoas.
A pesquisa também mostra que a mulher está realmente tomando conta do mercado, sendo 55% entre os vestibulandos. Dos inscritos, 44% têm idade entre 18 e 19 anos, 91% são solteiros e a maioria é do Paraná (76%), sendo 75% de Curitiba e região metropolitana. Sobre o nível escolar desse pessoal, 42% fizeram o 1º grau em escola pública. Já o 2º grau foi feito pela maioria em escolas particulares (41%), contra 39% em públicas. Entre os inscritos, 43% estão fazendo vestibular pela primeira vez, contra 57% que já tiveram outra experiência.
Outro dado interessante refere-se à ocupação dos pais. Enquanto 28% dos pais são empregados em empresa comercial, industrial, bancária, agrícola ou prestadora de serviço, entre as mães e ocupação principal é no funcionalismo público (18%). Muitos vestibulandos também já estão trabalhando, sendo que 19% começaram entre os 14 e 16 anos. A maioria também vai trabalhar durante o curso.
Vale ressaltar, ainda, que os estudantes estão mais preocupados hoje com sua realização profissional do que com o retorno financeiro da profissão: 62% escolheram o curso porque gostam das disciplinas fundamentais da carreira ou por verem possibilidade de realização profissional; 91% disseram estar certos do curso que escolheram; e 62% afirmaram que esperam, em primeiro lugar, de um curso, formação profissional voltada ao trabalho. Este dado, segundo o reitor, talvez possa explicar a opção por Turismo ou até mesmo a grande procura por cursos como História, por exemplo, que teve 7,3 inscritos por vaga, ficando à frente de cursos tradicionais como Engenharia Civil, que teve 6,8/vaga. (M.G.)

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