Maioria dos pacientes do HC é de fora
Mais da metade dos atendimentos feitos pelo Hospital de Clínicas de Curitiba é de pacientes de outras cidades. Diariamente, ambulâncias de diversos municípios do Paraná e até de outros estados estacionam no pátio do hospital buscando atendimento médico a pessoas com problemas de saúde. Segundo os dados fornecidos pela assessoria do Hospital, todo o mês são atendidos cerca de 62 mil pacientes. Destes, 49,49% são de Curitiba, 34,03% de municípios da Região Metropolitana, 10,9% de outras cidades paranaenses, 6,56% de outros estados e 0,02% de outros países.
As ambulâncias vêm de diversos municípios do Paraná e de Santa Catarina. Um micro-ônibus escolar transportou ontem mais de dez pacientes de Rio Negrinho (SC) para o Hospital de Clínicas. De acordo com os pacientes, no município falta infra-estrutura. Tem um hospital, mas não tem médico lá, conta a dona-de-casa Maria Inês Carvalho, de 36 anos. Os pacientes enfrentam mais de 3 horas de viagem e esperam 5 horas no hospital para serem atendidos. Acho que esta espera vale a pena. Se eu não viesse para cá, não teria a possibilidade de ser atendida, diz Maria Inês.
Nos municípios do interior do Paraná, o drama é o mesmo. A dona-de-casa Lúcia Ferreira de Castro, de 44 anos, fez uma cirurgia em Pitanga e teve complicações. Tive que ser transferida para Curitiba, porque em Pitanga nenhum hospital público tem equipamentos para exames, comenta.
Os problemas atendidos pelo HC são diversos. Eles vão de complicações cardíacas a casos como catarata. O paciente Evaldo Almiro, de 60 anos, é de Imbituva, mas precisa consultar e ser tratado por médicos de Curitiba. A gente levanta às 3 e meia da manhã para chegar aqui e ser atendido, conta.
Os pacientes da Região Metropolitana chegam a dormir na fila para garantir o atendimento. A dona-de-casa Terezinha de Fátima da Rosa, de 42 anos, saiu de casa cedo e não conseguiu ser atendida. Terezinha mora em Araucária e diz que os postos de saúde de lá não tem infra-estrutura para atender os pacientes. Tenho apenas dor de cabeça, mas mesmo para isto, preciso ser encaminhada para Curitiba, diz ela. A assessoria do HC diz que a procura é maior do que a capacidade do hospital. Por isto, muitos acabam amanhecendo na fila.
A prefeitura de Araucária informa que o município tem apenas uma Casa de Saúde - a São Vicente, mas os médicos não têm especializações. A Secretaria Estadual de Saúde recebe R$ 52 milhões por mês do Ministério da Saúde; R$ 6 milhões vão para a assistência básica e o restante para os municípios.





