Curitiba - Mais da metade das cidades do Paraná mantém lixões a céu aberto, sem qualquer tipo de tratamento. A realidade encontrada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) no Estado é que 260 cidades, a maioria municípios pequenos, não têm aterros controlados. ''São uns verdadeiros lixões a céu aberto'', disse o presidente do IAP, Rasca Rodrigues.
De acordo com Rodrigues, o IAP está recebendo as informações solicitadas às prefeituras para fechar um diagnóstico completo sobre os lixões. Apesar do elevado número de municípios sem qualquer tipo de aterro sanitário, o IAP encontrou 120 municípios com aterros licenciados, que apresentam a situação controlada através de manejo adequado. Esses aterros apresentaram ''efluente zero'', que reutiliza o chorume no processo degenerativo, evitando que o líquido, resultante da decomposição do lixo doméstico, escorra para rios, como aconteceu em Curitiba, que fez a Prefeitura de Curitiba levar uma multa no valor de R$ 5 milhões.
Segundo Rodrigues, será dado um prazo para as prefeituras se readequarem à nova ordem para tratamento do lixo. Para os municípios pequenos, os prefeitos podem recorrer a uma linha especial da Caixa Econômica Federal (CEF) para a instalação de equipamentos para tratamento do chorume. De acordo com ele, há uma pressão por parte de organizações não-governamentais (ONGs) e do Ministério Público para que as prefeituras enquadrem as áreas de lixões e façam aterros controlados imediatamente. ''Hoje lixo deixou de ser problema.''
O coordenador do Grupo de Desenvolvimento de Técnicas Avançadas para o Tratamento de Resíduos da Universidade Federal do Paraná (UFPR), professor Patrício Peralta Zamorra contesta o atual tratamento de chorume utilizado nos aterros. Ele disse não ter certeza até que ponto esse sistema é eficiente.
Para Zamorra, alternativas mais eficazes de tratamento de chorume não saem dos laboratórios por falta de investimento. Enquanto isso, a maioria dos aterros brasileiros se utiliza de tecnologia incompatível com o tipo de resíduo que estão tratando e milhões de litros do poluente continuam sendo lançados nos rios todos os dias. (Colaborou Andrea Lombardo)

mockup