Um adolescente aparentando 15 anos chega ao Auto Posto Energy, na Avenida Winston Churchill (zona norte de Londrina), por volta das 20 horas. Deixa a bicicleta no chão e saca um revólver calibre 38 obrigando os dois funcionários em serviço a entrar na loja de conveniência. O rapaz leva R$ 150,00 em maços de cigarros e R$ 280,00 em dinheiro, pega a bicicleta e foge.

Ao ver a fita gravada pela câmera de segurança, o gerente do posto, Márcio Agnelo, reconheceu o rapaz. ''Ele já assaltou o posto outra vez'', disse. O estabelecimento foi assaltado por menores três vezes entre o dia 12 de outubro e sábado passado, quando ocorreu o último assalto.

Agnelo afirma que o próprio policial que atendeu a ocorrência, ao ver a fita, disse que há 15 dias o mesmo adolescente estava preso no Centro Integrado de Assistência ao Adolescente Infrator (Ciaadi). A ocorrência revela um problema grave em Londrina e sem ações contundentes que busquem soluções: a reincidência de adolescentes na prática de infrações.

De acordo com a socióloga Fátima Luzia da Silva, responsável pela recepção e triagem do Ciaadi, em outubro 141 adolescentes passaram pelo centro e destes, 88 eram reincidentes. Ela afirma que os garotos já passaram por diversos projetos municipais de reintegração social: cursos profissionalizantes, tratamentos para usuários de drogas, cursos de música, teatro, e outros. ''Mas eles não ficam'', diz.

A conselheira do Conselho Tutelar, Marilda Regina da Silva aponta outro fator para a reincidência: a falta de vagas em cursos profissionalizantes. A demanda é muito maior que a oferta de cursos. No ano passado 298 crianças e adolescentes passaram pelo Conselho.

Segundo a promotora da Vara da Infância e Juventude, Edina de Paula, a situação é grave e enquanto o problema não for tratado através de políticas públicas e com o envolvimento da sociedade, continuará a crescer.

Para a promotora o foco da questão não é trancafiar os adolescentes infratores, mas tratar as famílias e criar um programa voltado especificamente para estes adolescentes tendo como trabalho central a imposição de limites. ''Todos que estão nas ruas e não querem frequentar os projetos, a escola, é por falta de limites dentro de casa'', afirma. ''Como em casa ninguém manda eles vão para a rua onde se vinculam a grupos mais fortes, que mandem neles''.

A desestruturação familiar e a falta de condições econômicas, na opinião da promotora, não podem se sobrepor à educação dos filhos. ''Mesmo que tenham trabalhado o dia inteiro, estejam cansados, os pais têm que chegar em casa e cuidar de seus filhos'', diz.

Edina de Paula afirma que ainda não há um projeto concreto que trate o problema da violência na sua origem: a educação em casa. No entanto, está em estudo a implantação de um projeto semelhante ao existente em Arapongas voltado especificamente para os infratores. ''A base seria a imposição de limites''.
A promotora irá visitar o projeto de Arapongas na sexta-feira. A implantação em Londrina seria em parceria com a Polícia Militar.

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