Maioria dos depósitos é clandestina
Mauro FrassonMiguel Spikula propõe que coleta seja feita em sacos diferenciados para evitar mau cheiro e sujeiraA maioria dos depósitos de lixo reciclável, usado como apoio para a Usina de Reciclagem em Campo Magro, não possui licença ambiental para operar. Instalados na periferia da cidade, essas unidades não reservam locais específicos para o depósito de lixo orgânico, que é transportado junto com material reciclável pelos caminhões. Em alguns dos 24 depósitos conveniados, forma-se chorume dos rejeitos, que escorrem para os terrenos vizinhos. Apesar disso, não existem registros de penalização no Instituto Ambiental do Paraná (IAP), responsável pela licença ambiental.
Os depósitos compram o lixo reciclável recolhido pelos caminhões da coleta seletiva e carrinheiros, fazem a classificação e depois vendem para indústrias que utilizam papel, plástico, metais e vidros reciclados. No entanto, na própria nota de venda da prefeitura aos depósitos, 10% é considerado como material descartável.
‘‘Nem tudo que chega dos caminhões vem limpo’’, comenta Leonildo de Oliveira, dono de um depósito no Boqueirão, em Curitiba. Ele conta que resto de comidas acabam formando fungos e provocando mau cheiro. ‘‘Algumas pessoas não costumam enxaguar latas e embalagem de leite e extrato de tomate’’, afirma Miguel Jorge Spikula, que é proprietário de um dos raros depósitos com licença ambiental.
Spikula diz que para evitar acúmulo de sujeira e mau cheiro pede-se para que o caminhão de coleta de lixo comum passe para pegar o que sobra. Outra medida é depositar o material orgânico em recipiente, que não vaze. ‘‘A proposta de coletas em sacos diferenciados, por exemplo por cores, evitaria esse problema’’, comenta.
Miguel Spikula, do grupo ambientalista Amigos das Águas, entende que para se adotar plásticos coloridos poderia se criar novos empregos. ‘‘Seria criada uma fábrica que trabalharia na produção desse material’’, diz.
Levantamento O secretário municipal do Meio Ambiente, Sérgio Tocchio, diz que a maioria dos depósitos de lixo reciclável que atuam na cidade não é legalizada, o que dificulta a fiscalização dos serviços. Para sanar este problema, a secretaria está realizando há um ano, um levantamento destes depósitos e também dos carrinheiros.
Com o estudo, a prefeitura quer saber também qual a situação de cada um dos coletadores. A idéia é que, com essas informações, possa-se incentivá-los a formar cooperativas, que podem industrializar os materias e vendê-los com preços melhores, o que pode garantir ainda salários maiores para os trabalhadores.
Com a atividade mais organizada, a prefeitura espera iniciar, no ano que vem, a segunda fase do programa ‘Lixo que não é lixo’. Seria a formação de um centro de reciclagem, que reuniria a prefeitura, a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), cooperativas de carrinheiros e o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar). Neste local, as pessoas encontrariam informações sobre a reciclagem de lixo.

mockup