Maioria dos casos envolve sentimento de rejeição
A Constituição Federal diz que a pensão alimentícia deve suprir necessidades básicas como alimentação, moradia, vestuário, educação e lazer. Mas não é apenas a sobrevivência dos filhos que é prejudicada quando os pais deixam de honrar esse compromisso; afetivamente, crianças e adolescentes passam a se sentir rejeitados.
''Ele não está sendo exatamente um pai, não demonstra amor por mim. Acho que se recusa a pagar pensão porque coloca o sustento dos outros filhos em primeiro lugar'', diz Patrícia, 12 anos, referindo-se aos três irmãos que resultaram do segundo casamento do pai.
Ela tinha apenas dois anos quando a mãe, Alice, pediu o divórcio e ficou com a menina. Nos passeios de fim de semana com o pai, Patrícia já passou por episódios como ver a madrasta comprar lanche para as outras crianças e ignorá-la. ''Aí, ela vai pedir para o pai, e ele diz que não tem dinheiro. Imagine como uma criança se sente numa situação dessas'', comenta Alice.
Além da inadimplência com a pensão, a professora tem outras razões para acreditar que a atitude do ex-marido é retaliação pelo divórcio ainda mal-compreendido. No mês passado, Alice registrou ocorrência na Delegacia da Mulher depois que o ex-cônjuge esteve em seu edifício fazendo ameaças contra a vida dela e da própria filha. O episódio foi um divisor de águas na relação da filha com o pai, o qual até então defendia. ''Ele está agindo como um canalha. Na noite em que ele veio fazer escândalo em frente ao prédio, fiquei muito assustada'', conta a menina.
Com medo de reações agressivas, algumas mulheres preferem até abrir mão do direito do pensão. A diarista Odete (nome fictício), 25, diz que prefere sustentar a filha de 6 anos sozinha a travar uma batalha judicial com o ex-cônjuge. ''Não quero mexer com isso porque ele é um homem violento. Além do mais, quando estávamos juntos era praticamente eu que o sustentava. Ele não trabalhava e ainda me batia'', relata.(V.N.)





