As entidades Bom Samaritano e Albergue Noturno preferem esperar para dar qualquer parecer sobre as mudanças sofridas pela campanha ‘‘Noite Fria’’, mas acreditam em bons resultados.
A diretora do Albergue Noturno, Marina de Abreo Okuzono, e o administrador da Casa do Bom Samaritano, Thirso Camella, garantiram que vão estar trabalhando em parceria com a Prefeitura. Mas reforçaram que o número de vagas disponíveis é pequeno diante da demanda.
‘‘Atualmente são poucas as entidades que dão esse tipo de assistência’’, reforça Camella. A deficiência do setor se agrava porque as entidades estão estruturadas para receber pessoas que estão em trânsito pela cidade, à procura de emprego ou atendimento de saúde. As entidades não aceitam pessoas com problemas mentais, nem embriagadas. Tanto Camella como Okuzono concordam que a maioria dos mendigos e andarilhos fica desassistida pela entidades.
Os diretores explicam que não têm estrutura hospitalar para dar assistência a pessoas com esses problemas - e que, se o fizessem, acabariam prejudicando os demais. Mas não é só isso. Marina Okuzono analisa que os mendigos e andarilhos também não se adaptam ao atendimento das entidades.
‘‘Eles fizeram uma escolha de vida. Não querem regras e a entidade precisa delas para garantir o atendimento’’, diz a diretora do Albergue. Marina conta que não eram raras as vezes em que, encaminhados até a entidade, os próprios mendigos se negavam a ficar. Ela acredita que a criação de um local específico para essas pessoas seja uma solução.
Juntas, as duas entidades oferecem cerca de 90 leitos para pernoite, com capacidade de 20% de ampliação, colocando colchões no chão. O Bom Samaritano, por exemplo, tem 70 leitos, mas 50 deles são ocupados de forma permanente por pessoas idosas e doentes, que não têm para onde ir, sobrando 20 para atender os casos de curta estadia. O Bom Samaritano é o único que permanece aberto durante o dia.
Já o Albergue Noturno tem como característica principal o oferecimento apenas do pernoite, jantar e café da manhã. Há capacidade de atendimento para 65 pessoas - 40 homens e 25 mulheres. No ano passado, foram no total cerca de 25 mil atendimentos, mantendo uma média de 2.800 por mês. Todas as noites, também são oferecidas 40 refeições na porta da entidade. É o popular ‘‘sopão’’.

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