Maioria descarta assentamento no no norte do País
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sexta-feira, 31 de julho de 1998
Valmir Denardin 
Poderá fracassar a proposta do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), de assentar na região sul do Pará os brasiguaios que estão retornando ao Paraná e engrossando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). De acordo com o MST no Oeste do Estado, a maior parte das famílias de brasiguaios acampadas na região rejeita a idéia de migrar para um Estado a cerca de 2.500 quilômetros de distância.
Celso Ribeiro, integrante da coordenação regional do MST, informou à Folha que um levantamento apontou que no máximo 50 ou 60 (cerca de 5%) das 1.200 famílias de brasiguaios acampadas no Oeste do Paraná estão dispostas a se mudar para o Pará. Para nós, o que interessa é que haja desapropriação em qualquer região do Paraná, para onde todos concordam em ir.
Situação improvávelIrmã Zenaide, coordenadora da Pastoral do Migrante: Vai ser muito difícil eles aceitaremA proposta do governo federal foi apresentada anteontem, em Curitiba, pelo ministro de Política Fundiária, Raul Jugmann. Alegando não ter áreas disponíveis para assentamento no Paraná, o Incra quer levar ao norte do País as famílias que voltam ao Brasil depois de tentar uma vida melhor no Paraguai. Segundo a Folha mostrou, em reportagem especial publicada na edição de domingo, pelo menos 5 mil brasiguaios retornaram ao Paraná - como favelados ou sem-terra - nos últimos três meses.
Segundo o líder do MST, o movimento não vai impedir, mas também não vai incentivar que os brasiguaios aceitem a proposta do Incra. Mesmo assim, uma comissão reunindo representantes do Incra, do MST e dos brasiguaios viajará ao sul do Pará em cerca de dez dias. Vamos avaliar se a terra é boa e se há recursos como médicos e escolas próximo das áreas que o governo quer dar, adiantou Ribeiro.
Na sua opinião, o principal fator que impedirá a ida dos brasiguaios ao Pará são as raízes que essas famílias mantêm no Sul do País. Eles nasceram e cresceram aqui e já se iludiram uma vez com o Paraguai.
A idéia defendida por Ribeiro é reforçada pela freira Zenaide Guarnieri, coordenadora da Pastoral do Migrante de Foz do Iguaçu, entidade que, com o MST, coordena a volta dos brasiguaios. Vai ser muito difícil eles aceitarem, porque têm origens sulistas, afirmou a religiosa, em entrevista por telefone à Folha, ontem à tarde, enquanto participava, em Jundiaí (SP), de um encontro internacional sobre migrações, promovido pela Igreja Católica.
Segundo ela, os brasiguaios têm medo de ir para o sul do Pará devido aos constantes conflitos de terra que ocorrem na região. Em abril de 96, 19 sem-terra foram mortos em confronto com a PM, no município de Eldorado do Carajás.


