Daniela Neves Especial para a Folha
A maior parte das crianças encaminhadas para orfanatos não pode ser adotada porque ainda está sob tutela dos pais. Mas, mesmo assim, ela não voltar para a família e nem é destituída do pátrio poder. Essa é a conclusão de uma pesquisa feita em 98 pela professora Lidia Weber, do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná. Na opinião dela, as unidades de abrigo não são solução para a retirada da criança da família porque ela é excluída da convivência familiar e da sociedade.
A pesquisadora fez um estudo com internos de uma instituição particular de Curitiba e constatou que apenas 8% das crianças tinham condições de serem adotadas. Do restante, 61% estavam no abrigo por causa da negligência dos pais, 14% haviam sido abandonadas e mais 14% tinham sofrido agressões físicas. Ela acredita que esta é a realidade em todas da unidades de abrigo infantil do Paraná. ‘‘Da condição de carentes, essas crianças passam a ser abandonadas pela ausência do Estado em dar condições para a família poder criar novamente os filhos e pela alongada permanência nos internatos’’, comenta.
Segundo o estudo, o tempo de abrigo das crianças varia de um mês até dois anos e sete meses. A grande maioria, 68% das crianças, não recebe visitas das suas famílias. A professora diz que, por melhor que seja o internato, não é o local adequado para uma pessoa viver.
A maior parte das crianças encaminhadas para instituições não está com os pais porque estes são violentos, têm problemas de alcoolismo, ou não têm condições financeiras de criar o filho. ‘‘A simples passagem do tempo, enquanto as crianças estão nos orfanatos não resolve os problemas em casa’’, afirma. Para a professora, enquanto os filhos estão longe das famílias, os pais deveriam receber assistência psicológica, médica e social do Estado para que o problema se resolvesse. Nos casos mais graves, quando não há condição de solução, os processos de destituição do pátrio poder deveriam ser agilizados para que a criança fosse encaminhada para adoção. O resultado da pesquisa está no livro ‘‘Laços de Ternura’’, escrito por Lidia e que teve sua segunda edição lançada na noite de sábado, em Curitiba.

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