Hoje, 56 pacientes da região estão na fila de espera por um rim, alguns há mais de quatro anos. Quem tem um parente compatível e disposto a doar, faz a cirurgia. Fernando Avilar, 18 anos, há quase 3 anos na hemodiálise vai ganhar um rim de uma tia. Outros não têm alternativa senão aguardar a doação de um cadáver. É o caso do aposentado Osvaldo Gandolfo, 59 anos, de Cruzeiro do Oeste. Sem parentes compatíveis, ele faz hemodiálise há 4 anos, enquanto aguarda uma doação. ''Tá demorando, mas não perco a esperança de que vai aparecer um rim que sirva para mim''.
O centésimo transplante da equipe médica de Umuarama foi feito em Isabel Aparecida dos Santos, com rim de doador vivo. Embora esteja comemorando 100 cirurgias, a equipe fez apenas dois transplantes este ano, ambos de doador vivo. ''Não conseguimos nenhuma doação de cadáver compatível com nossos pacientes'', disse a nefrologista Sandra Mara Olivier Martins. Ano passado, foram feitos oito transplantes com rim de doador morto. Na cidade, a última doação de órgãos de uma pessoa com morte cerebral aconteceu há um ano e meio.
A lei de doação de órgãos não obteve o resultado esperado e, em muitos casos, até atrapalhou doações, segundo Sandra Martins. Muita gente se assustou e fez questão de constar como ''não doador'' nos documentos. Os médicos ignoraram a lei e seguiram respeitando a vontade da família do morto. ''Já aconteceu da família autorizar a doação e nós não podermos fazer a retirada de órgãos porque no documento constava como não doador''.
Segundo Sandra Martins, as campanhas de esclarecimento para que as pessoas se tornem doadoras de órgãos e o pedido direto à família do morto continuam sendo os únicos caminhos para se obter mais doações. ''Felizmente hoje, nas nossas abordagens às famílias, já ouvimos mais sim do que não'', finaliza.

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