As 13 cidades do Paraná que construíram ou vão construir os barracões para armazenar embalagens vazias de agrotóxicos altamente poluentes são favoráveis aos projetos, à exceção dos moradores de Poço Negro, em Colombo, Região Metrpolitana de Curitiba.
Em Palotina e Santa Terezinha do Itaipu, os barracões já foram construídos. Em Colombo, Morretes, Ponta Grossa, Prudentópolis, São Mateus do Sul, Renascença, Cascavel, Umuarama, Tuneiras do Oeste, Maringá e Cornélio Procópio as construções estão em fase de estudo ou em andamento.
Em Santa Terezinha do Itaipu, por exemplo, foram recolhidas em dois anos mais de 80 toneladas de embalagens tóxicas que iriam ser jogadas no meio ambiente. O secretário de Agricultura e Meio Ambiente daquele município, Sideney Baldessar, afirma que o problema foi resolvido por completo.
Até mesmo os partidos de oposição entendem que os barracões serão uma forma de resolver danos ambientais graves. O presidente da Câmara de Vereadores de Renascença, Jandir Marafon (PDT), adversário político do prefeito, acredita que os barracões devem trazer ‘‘tranquilidade ao campo e resolver um problema muito grave’’.
A posição do vereador é contrária à do presidente da Associação de Moradores do Poço Negro, Ribeirão das Onças e Morro Grande, Leão Ferreira de Lima, 53 anos. Lima teme que o barracão de Colombo possa contaminar o lençol do Aquífero Karst e nascentes de rios. Ele não aceita o argumento das autoridades do governo e do município de que não há perigo de contaminação.
Para o secretário de Turismo e Meio Ambiente de Morretes, Ilmar Wolff, atitudes como a de Lima são ‘‘ignorantes’’. ‘‘Não tem nenhuma resistência’’, diz Wolff, referindo-se à sociedade de Morretes. ‘‘É ignorância se opor’’, afirma.
Na análise de Wolff, as pessoas que criticam o projeto, a exemplo do presidente da associação de moradores, não possuem conhecimento real da situação. Para ele, os barracões vão de encontro às necessidades dos agricultores, criam empregos e diminuem as agressões à natureza.
O secretário do Meio Ambiente de Umuarama, Rui Martins Lisboa, diz ter sido um dos primeiros a defender a construção de um depósito na cidade. Segundo ele, a bandeira principal dos ecologistas é eliminar o uso de agrotóxicos. ‘‘Como isto ainda está longe de ser alcançado, passei a defender a construção do depósito como forma de diminuir a contaminação’’, diz.
Em Tuneiras do Oeste, segundo o secretário municipal da Agricultura, João Francisco Silvério de Oliveira, não houve manifestações contrárias ao depósito. ‘‘Pelo contrário, os agricultores têm elogiado a iniciativa, porque para eles sempre foi um problema se desfazer das embalagens’’, afirma Oliveira.
Ecologista assumido, Lisboa acredita que não há risco de acidentes ambientais porque o lixo tóxico não ficará abandonado no depósito. O recolhecimento das embalagens nos municípios está a cargo das prefeituras e da Emater (Empresa de Assistência Técnica).

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