Maioria acredita que chances serão mínimas após a liberdade
Marcos NegriniRodinei de Medeiros: daria chance a um ex-presoOs presos da PEM e da 9ª SDP recebem tratamento diferenciado, mas têm a mesma opinião das chances que terão quando saírem da cadeia. Rodinei Medeiros, 36 anos, preso na penitenciária por tráfico de drogas e condenado a dois anos, acha que recebe um tratamento de primeiro mundo. Mas não tem certeza se terá chances depois que cumprir a pena. Ele sai em menos de um ano. Quando era comerciante em Tubarão (SC), não deu emprego para ex-presidiários.
Hoje, ele garante que tem outra visão do problema. A sociedade que prejudica a reintegração do ex-preso, afirma. Na penitenciária Medeiros já fez diversos cursos, principalmente na área de cozinha, onde trabalha como auxliar de cozinheiro da PEM. O marceneiro Adenilson Luiz, 33 anos, preso há três meses na cadeia pública de Maringá por porte de arma, é reincidente. Foi preso pela primeira vez por furto e assalto, saiu e não encontrou emprego. Fui obrigado a voltar para o crime para tratar de meus dois filhos, diz.
Ele reclama que quando o pessoa sai da cadeia tem apoio de programas como o pró-egresso, mas as empresas indicadas exigem experiência. Como uma pessoa que estava dentro da cadeia vai ter experiência em alguma coisa?.
Marcos NegriniAdenilson Luiz: está de volta porque não teve chanceRogério Marco, 29 anos, trablhava de açougueiro quando foi preso pela primeira vez por assalto. Réu primário saiu da cadeia mas não conseguiu emprego, voltou a assaltar e está preso na 9ª SDP. A gente fica desesperado por causa dos filhos e não vê outra alternativa, afirma. Marco tem duas filhas menores e quer ir para a Colônia Penal Agrícola, em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) . Aqui a gente não tem chance de nada, diz.
Outro detento da 9ª SDP, Ramon de Albuquerque, 40 anos, preso por não cumprir as regras da liberdade vigiada, acha que a cadeia só prejudica a vida de quem não tem índole para o crime. Ele foi preso em São Paulo por furto e liberado por ser réu primário. Mas deveria se apresentar todos os meses no Fórum da cidade, o que não conseguia conciliar com o emprego de cinegrafista. Vim para cá com muita preocupação e em busca de uma nova oportunidade, mas minha situação só piorou, lamenta.
Em uma blitz da polícia ele foi preso e como era procurado em São Paulo acabou ficando na cadeia. Reconheço que foi negligência minha, mas o juiz mandou eu arrumar um trabalho, e o serviço não era compatível com a necessidade de se apresentar no Fórum todo mês, afirma. Ele tem três filhas em São Paulo, quer sair para ter mais uma chance mas não sabe se vai conseguir emprego. A gente pensa muito aqui e sabemos que a sociedade não aceita com facilidade a idéia de reintegração do preso, resume. (M.Z.)





