Curitiba - As causas de incêndio são muitas, mas o motivo geralmente é o mesmo: o descuido. Segundo o tenente Eduardo Gomes Pinheiro, relações públicas do Corpo de Bombeiros do Paraná, 76% dos incêndios registrados nos últimos dois anos aconteceram em edificações residenciais. Dentro de casa, de acordo com Pinheiro, os grandes vilões são redes elétricas antigas ou subdimensionadas, aquecedores elétricos e instalações incorretas de gás de cozinha.
''Nós temos hoje uma série de equipamentos que não existiam na década de 70. Essas casas têm fiações com décadas de uso, dimensionadas para a época em que as pessoas tinham nas suas casas apenas TV, rádio, geladeira, além do chuveiro. Hoje, sem terem sofrido qualquer alteração, as instalações são exigidas ao máximo por microondas, máquinas de lavar, televisores, equipamentos de som, aquecedores elétricos, freezers'', diz. O recomendável, nesses casos, é que as pessoas façam atualização na rede elétrica para uso de novos equipamentos.
ELe alerta, ainda, para os perigos do usuário plugar em um mesmo ponto elétrico (tomada) dois ou mais aparelhos, fazendo uso do ''T'' ou até mesmo de extensões que estão à venda e possibilitam de cinco a seis conexões de equipamentos diferentes. Ocorrerá sempre um superaquecimento do condutor elétrico. Em muitos casos, em contato com madeira, teias de aranha, resíduos de cupins, plásticos e outros materiais, iniciam um princípio de incêndio longe dos olhos das pessoas. Como resultado, o fogo só será visto quando está em proporções de difícil controle.
Os riscos com o gás de cozinha também são grandes. A primeira recomendação é instalar o botijão no lado externo da casa, evitando, assim, a concentração do gás em local fechado em caso de vazamentos. Em residências, de acordo com Pinheiro, outras causas de acidentes são o rompimento da mangueira que interliga o fogão ao botijão, por ressecamento em função do tempo; o esquentamento da mangueira, que passa, erradamente, por trás do fogão e, ainda, a incorreta instalação do botijão. Outra prática popular errada, ressalta, é o uso de sabão na saída do botijão para tentar impedir um vazamento constatado.
As pessoas esquecem que o sabão resseca rapidamente e o gás voltará a vazar, podendo provocar a explosão. Mangueiras de gás que passam por trás do fogão podem ser aquecidas pelo forno ligado. Elas acabam derretendo e o gás começa a vazar; o problema é que muitas vezes esse vazamento só será percebido quando houver a explosão. O uso de liquinhos, segundo Pinheiro, é muito perigoso, tanto quanto o de fogareiros instalados muito próximos da extremidade de saída do botijão. O calor provocado pelas chamas próximas à válvula de alívio, que se rompe com o aumento de temperatura, pode gerar a explosão do gás que eventualmente venha a vazar.(M.G)

mockup