Curitiba - Uma semana após um incêndio ter destruído a maior coleção de répteis do Brasil, a comunidade científica ainda lamenta a perda inestimável do material utilizado em pesquisas de todo o mundo. O incidente no Instituto Butantan, de São Paulo, no dia último dia 15, expôs a fragilidade desses acervos e acionou o alerta para a necessidade de medidas estruturantes e investimentos para que outras coleções biológicas tão importantes quanto aquela sejam preservadas.
No Paraná, o maior acervo biológico está no Museu de História Natural Capão da Imbuia, em Curitiba. Os números impressionam: cerca de 70 mil exemplares de insetos, 13 mil lotes de peixes, 7 mil mamíferos e 20 mil répteis e anfíbios, entre outros. No entanto, a representatividade da coleção é muito maior do que o seu tamanho. Ela contém o melhor registro da fauna da Floresta de Araucária e dos campos sulinos brasileiros. Um patrimônio de uma diversidade que já não existe mais.
A coleção começou a ser montada ainda no início do século passado, passou pelo comando do Governo do Estado e desde 1981 pertence à Prefeitura da Capital. O material têm várias origens. Alguns animais são doações de pessoas que encontram e levam ao museu, muitos vêm de centros de triagem ou do zoológico e a grande maioria é trazida pelos pesquisadores que fazem coleta para seus estudos e depois precisam depositar o material em um local autorizado.
Desde 2005, o Museu de História Natural de Curitiba é oficialmente um fiel depositário de material biológico. O título implica uma grande responsabilidade. Após receber, é preciso organizar, cuidar e manter os exemplares e lotes à disposição de toda comunidade científica. Todos os animais são registrados em um livro e são tombados.
Cuidado
E, apesar de todo esse cuidado e de sua relevância, o museu de Curitiba sofre dos mesmos problemas estruturais que a maioria dos museus do mundo. Segundo a diretora Márcia Arzua, bióloga, o maior deles é o fato do prédio não ter sido contruído para abrigar o acervo. ''A maior preocupação é mesmo o incêndio. Nós temos uma brigada de incêndio, funcionários que foram treinados para isso, mantemos os extintores em dia. É o mínimo que a gente pode ter''.
O risco é alto, considerando que o material é inteiramente conservado em álcool a 70% - que não queima espontaneamente, mas é combustível do fogo após iniciado. O ideal, segundo Márcia, seriam salas isoladas e climatizadas, com detector de calor e mecanismo de ingestão de gás carbônico. Nos museus mais preparados, essas coleções ficam no subsolo em ambiente com umidade, luz e temperatura controladas.

Acervo biológico

70 mil exemplares de insetos
13 mil lotes de peixes
20 mil exemplares de parasitas
6 mil exemplares de aves
7 mil exemplares de mamíferos
20 mil exemplares de répteis e anfíbios
12,5 mil lotes de macroinvertebrados (aracnídeos, crustáceos, moluscos...) *
* Um lote pode conter de um a centenas de exemplares
Fonte - Museu de História Natural Capão da Imbuia

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