O movimento Maio amarelo nasceu com o objetivo de chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortes e feridos no trânsito em todo o mundo. Em Londrina, as primeiras atividades relacionadas ao movimento aconteceram no ano passado, mas de maneira tímida, com algumas ações educativas. Este ano a intenção é ampliar a agenda de eventos, já que o município registrou um aumento grande de mortes - passaram de 57 registradas em 2009 para 100 em 2015 (75,43%).
O fenômeno não é só local. Segundo o coordenador do setor de Educação de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina, Carlos Ribeiro, acidentes estão entre as maiores causas de morte no mundo.
Ele relatou que a Assembleia Geral das Nações Unidas editou, em março de 2010, uma resolução definindo o período de 2011 a 2020 como a "Década de Ações para a Segurança no Trânsito".
A decisão foi motivada por um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), mostrando que em 2009 houve cerca de 1,3 milhão de mortes por acidente de trânsito em 178 países. Além disso, 50 milhões de pessoas sobreviveram com sequelas naquele ano. Se nada for feito, a OMS estima que 1,9 milhão de pessoas devem morrer no trânsito em 2020 (passando para a quinta maior causa de mortalidade). "Só no Brasil, a esse ritmo, serão 200 mil mortos no trânsito em 2020", aponta Ribeiro. Para comparar, em 2014 foram registradas 43 mil mortes no trânsito brasileiro, das quais 7.851 foram pedestres.

EPIDEMIA
O supervisor do setor de Educação de Trânsito, Éder Araújo, ressalta que os acidentes de trânsito se tornaram uma epidemia mais grave do que os casos de dengue e isso tem reflexo nos gastos na área de saúde. Atualmente, esses acidentes já representam um custo de US$ 518 bilhões por ano ou um percentual entre 1% e 3% do PIB (Produto Interno Bruto) de cada país. "Quando a prefeitura de São Paulo reduziu o limite de velocidade nas vias, a consequência disso foi que 7 mil leitos hospitalares deixaram de ser ocupados por vítimas do trânsito", destaca.
Embora seja uma das maiores causas de mortes no Brasil, uma parcela grande da população não dá a devida importância. Segundo Ribeiro, a escolha da cor para simbolizar o movimento remete ao significado de atenção que o amarelo representa na sinalização de trânsito. Por este motivo os representantes da CMTU sugerem às pessoas e empresas o uso do amarelo nas roupas e em faixas na fachada dos estabelecimentos como forma de apoiar a causa.
Hoje haverá uma ação no Calçadão com a dinâmica "Celular na direção, não!", justamente para mostrar a importância de evitar o uso do aparelho enquanto dirige. Hoje também será feita a pintura do laço símbolo amarelo em algumas vias da cidade.
Outra ação dentro da programação acontecerá no dia 22, a partir das 8 horas. Será uma caminhada da Praça Marechal Floriano Peixoto (ao lado da Catedral) até o Santuário Eucarístico Mariano (Avenida Madre Leonia Milito, 575). A chegada no santuário está prevista para as 10 horas e será finalizada com uma benção.
Em entrevista coletiva realizada na manhã de ontem no santuário, a responsável pela divulgação da causa de beatificação da Madre Leonia Milito, irmã Aparecida de Lourdes Arado, convidou as pessoas a participarem do evento. Ela explica que a Ordem das Missionárias Claretianas apoia o movimento, porque tradicionalmente já participam das ações da semana do trânsito realizadas em setembro.
"A Madre Leonia Milito foi vítima de trânsito e ela foi usuária de todos os tipos de veículos possíveis em mais de 18 países. Ela andou de charrete, carro, ônibus, avião e quis o destino que ela morresse perto daqui, onde hoje fica a Capela Nossa Senhora do Caminho (às margens da BR-369, saída para Cambé)."
Irmã Aparecida ressalta que os acidentes afetam grande parte da juventude, na faixa de 18 a 30 anos. "E isso tem causado preocupação. O trânsito deve ser um instrumento de trabalho ou de lazer, e não deve gerar tragédias. Há muita pressa e falta de respeito às leis", aponta. (Leia mais na pág. 2)

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