Nos dias em que dividiu uma cela na Casa de Custódia de Londrina (CCL) com mais quatro detentos, Maikon Júnior de Souza diz que passou por momentos de tensão e medo.
Um dos mais críticos foi no início de abril, quando uma greve de fome entre os detentos terminou com rebelião e invasão da carceragem pelo Pelotão de Choque da Polícia Militar. ‘‘Foi bem pior do que primeira vez em que estive preso. Daquela vez, eu tinha ciência do que eu tinha feito. Agora, eu tinha ciência que eu não tinha feito nada’’, comentou Maikon.
Na próxima semana, ele pretende retomar o trabalho de vendedor de aparelhos fisioterapêuticos. Como conta com a confiança do seu chefe, mesmo estando preso ele não perdeu o emprego, mas teve que se desfazer de um carro para pagar as prestações da casa em que vive com a mãe e irmãos. O pai já é falecido.
Apagar da memória os dias encarcerados não vai ser tarefa fácil. ‘‘Até queria esquecer tudo isso, mas acho que não vou conseguir.’’ Mesmo assim, ele garantiu que não guarda mágoas das pessoas que o acusaram.
Mais magro seis quilos, Maikon agora só quer retomar sua vida e finalmente ficar noivo, decisão que foi adiada por causa da falsa acusação de roubo. Ele ainda não sabe se vai entrar com pedido de indenização por danos morais.
O advogado de Maikon, André Luiz Salvador, agradeceu a agilidade do juiz da VEP, Roberto do Valle, que assinou a soltura em 24 horas quando tinha um prazo legal de 10 dias. Segundo Salvador, Maikon poderá descontar esses meses do restante da pena que deve cumprir até 2005.

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