Mágico e acrobata são atração em praça
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Osmani Costa 
As pessoas vão chegando devagar, meio desconfiadas. A maioria são desempregados à procura de como matar o tempo antes de voltar novamente para casa, no final da tarde, sem nenhuma proposta concreta de trabalho. Embaixo de uma árvore da Praça Marechal Floriano Peixoto, no centro de Londrina, os artistas populares chamam a atenção falando alto, gesticulando e contando velhas piadas.
Nada de novo no show mambembe montado na praça ao lado da Cadetral. Até os atores principais - o mágico Rone e o acrobata Beto - já são velhos conhecidos dos londrinenses. Mas o público se renova, às dezenas, a cada 30, 40 minutos. A maior parte é formada por homens, na faixa entre 30 e 50 anos. Poucas mulheres, jovens e crianças aparecem para se divertir, gratuitamente, com os truques dos artistas.
O mágico Rone, um londrinense de 30 anos, não gosta do assédio da imprensa e de ser fotografado. Aparecer atrapalha a vida da gente. As pessoas começam a nos reconhecer nos supermercados, em todos os lugares, e não deixam mais a gente em paz. Num de seus melhores momentos, ele transforma página de jornal em notas de dez reais, numa ilusão de ótica que dura apenas alguns segundos.
No mais, são os aros de metal que entram e saem uns dos outros mesmo sem aberturas aparentes; uma mão de borracha que se movimenta sob um lenço colorido; um lencinho que some num fechar de mão e aparece no bolso da camisa etc. Truques velhos e surrados, mas que despertam a curiosidade e prendem a atenção do público por alguns minutos.
Sou só um aprendiz de mágico porque gosto desta arte desde os 15 anos de idade. Não faço mágicas, só brincadeiras para divertir as pessoas simples nestes tempos difíceis, afirma Rone, que sequer divulga seu sobrenome. Tudo que faço é fácil, trucagem de salão que qualquer um pode fazer com um pouco de esforço e treinamento. É brincadeira sadia, sem sacanagem.
A segunda parte do espetáculo fica a cargo do acrobata e capoeirista Antonio Martins, baiano de Salvador, 46 anos, que atende pelo apelido de Beto. Depois de ter morado dois anos em Caxias do Sul (RS), ele voltou recentemente a Londrina - onde já morou durante 10 anos - com a intenção de abrir uma academia de capoeira. Agora, ele é ajudado nas apresentações pelo seu filho caçula, Antonio Adam, 14 anos.
Além de saltos mortais, estrelas e outros exercícios ligados à capoeira, a maior acrobacia de Beto é pular por dentro de um aro de bicicleta contendo 35 facas apontadas para o centro. Não é perigoso para mim, que já passei por buracos mais apertados na vida, afirmou em tom jocoso. Mas, para quem não tem preparo, o risco é grande. Por isso, não aconselho ninguém a tentar me imitar em casa.
Entre uma apresentação e outra, o baiano vende sabonete, pomada e raízes em pó. Beto garante que os produtos são naturais, com base em 16 ervas medicinais, produzidos por laboratório autorizado em São Paulo. Os produtos, em embalagens diminutas, custam entre R$ 1,00 e 2,00 a unidade. Mas as vendas são acanhadas. As pessoas estão sem dinheiro, interessadas mesmo apenas em diversão barata.


