Máfia do compulsório ataca no PR
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2002
Rosana Félix Equipe da Folha 
Curitiba - Centenas de pessoas em todo o Estado estão sendo vítimas de uma máfia do compulsório. Elas recebem ligações em suas casas de advogados ou outros profissionais que oferecem pagamento imediato do empréstimo compulsório da gasolina, que vigorou entre julho de 1986 e outubro de 1988. Cerca de 1 milhão de pessoas no Paraná ainda têm direito ao crédito, que pode ser de até R$ 1,5 mil por automóvel. Porém os valores oferecidos são bem inferiores, em média R$ 200,00. Os arquivos com nomes dessas pessoas e a quantia a ser recebida estão sendo vendidos em várias cidades do Paraná.
O prazo máximo para entrar com ação, que só pode ser feita no Paraná, termina em 5 de agosto deste ano, de acordo com a ação civil pública movida pela Associação Paranaense de Defesa do Consumidor (Apadeco) contra a União. Por causa disso está havendo uma corrida para arrebanhar clientes. A Folha ouviu várias pessoas que confirmaram a denúncia, mas que não quiseram se identificar.
Um microempresário há algumas semanas recebeu um telefonema, em sua casa, de um advogado. Não sei de onde tiraram meu telefone, porque nunca tinha visto essa pessoa, nem a procurado. Ele explicou que eu tinha dinheiro para receber, mas que iria demorar muito pra Justiça entregar e que ele poderia me dar na hora R$ 200,00 se eu assinasse uma procuração, relatou. Segundo o microempresário, não foi informado o valor do empréstimo compulsório que ele iria receber. Foram na minha casa com o dinheiro e o documento para assinar, mas desconfiei da procuração e levei para o meu contador ver, que mostrou para a advogada. Então eu soube que eu tinha direito a receber R$ 1,3 mil, acrescentou.
A advogada que apresentou a denúncia relatou vários casos semelhantes, como o de um aposentado que possuía três carros entre 1986 e 1988, e teria direito de receber R$ 4 mil. Mas ele foi abordado por um advogado que pagou apenas R$ 400,00.
Um representante comercial afirmou que foi abordado por um consultor jurídico enquanto estava na fila do Detran. Ele perguntou se eu tinha carro naquela época (julho de 1986 a outubro de 1988) e disse que me daria 20% do valor à vista, e então ele entraria com a ação, iria esperar o dinheiro e ficar com ele, contou.
É um dinheiro que não era esperado, que a pessoa nem sabe que existe, e prefere pegar o que o advogado oferece à vista porque, infelizmente, não acredita na Justiça, diz a advogada.


